Um jogo do Brasil com os mais antigos brasileiros

Índios pataxós acompanham a partida da seleção na Copa valorizando seus costumes e apoiando o "descendente" Paulinho em ação

iG Minas Gerais | Bernardo Mirando |

Índios pataxós acompanham a partida da seleção na Copa valorizando seus costumes e apoiando o
PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Índios pataxós acompanham a partida da seleção na Copa valorizando seus costumes e apoiando o "descendente" Paulinho em ação

No dia 25 de Julho de 2013 os pataxós choravam uma dura derrota. O time da tribo perdia a final dos jogos indígenas, nos pênaltis, para os rivais xukurus. O pior, dentro de casa, já que a comunidade de Carmésia, no Vale do Rio Doce, sediou a edição do evento. Um ano depois não há motivos para rancor e 60 membros da aldeia se reúnem em frente a uma TV para torcer pelo sucesso do xukuru mais ilustre. O volante Paulinho tem no sangue a descendência da tribo rival, mas agora ele representa todo o povo indígena na seleção, e desperta o orgulho da nação pataxó, que esquece a rivalidade tribal.

O jogo do Brasil contra a Colômbia foi esperado com ansiedade pela aldeia, e a preparação começou uma noite antes. Os homens se embrenharam na mata da reserva de mais de 300 hectares em busca de uma capivara para ser servida durante o jogo. Na disputa, a caça levou a melhor." levamos um olé", contou sorrindo o cacique Txonãg Pataxó, 34. Sem o animal selvagem, costelas de boi foram para a fogueira.

A habilidade das mãos indígenas também trabalharam, mas o artesanato dessa vez era a instalação da TV por assinatura via satélite. Assim a aldeia assistiu, em alta definição, ao Brasil abrir o placar. " Somos índios, conservamos a nossa cultura, mas não estamos parados no tempo. Evoluímos como todo mundo, e não podemos sermos privados de nada" explica sobre a tecnologia na aldeia o Cacique.

O que deu sorte para o Brasil eles não têm dúvida, com certeza foi timbero, um cachimbo recheado de ervas naturais que passava de boca em boca antes do jogo. "Dá sorte e cura qualquer doença respiratória, para sinusite então é uma maravilha" garante Suín Pataxó, 34, após uma boa baforada.

Na torcida, os rostos indígenas se adornavam com cocar, no corpo a camisa do Brasil. A cada lance, a reação comum de qualquer outro torcedor. Porém, no apito final que sacramentou a vitória apertada, os gritos deram lugar ao canto e a dança indígena. Uma reação de quem mais do que vibra com um jogo, se reafirma como o povo mais brasileiro dos brasileiros. "Estamos aqui há mais de 500 anos. Lutamos por ter direito a nossa a terra e não vai ser na nossa terra que vão nos tomar a nossa taça", destaca Suín Pataxó.

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