Prefeitura admite erro na fiscalização de viaduto que caiu

Secretário municipal de Obras e Infraestrutura, José Lauro Terror, assentiu sobre a responsabilidade no acidente da Pedro I

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A obra do viaduto Batalha dos Guararapes, que desabou em Belo Horizonte nesta quinta-feira (3), estava na fase de retirada de escoras havia alguns dias, segundo o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, José Lauro Terror.

Ele não eximiu a prefeitura da responsabilidade por eventuais erros que levaram à queda da estrutura, localizada na zona norte da cidade, mas afirmou que todos os itens de fiscalização a cargo do poder municipal foram cumpridos e anotados.

Na tragédia, duas pessoas morreram -os motoristas de um micro-ônibus e de um Fiat Uno&- e outras 23 se feriram. O secretário municipal da Saúde, Fabiano Pimenta, corrigiu o número de feridos (ontem foi divulgado 22).

Apenas um operário da obra continua internado, com dores no tórax, mas não corre risco de morte. Ao ser questionado se houve erro na fiscalização da prefeitura, o secretário de Obras assentiu. "Nós entendemos que sim, houve um erro", disse. "Estamos em etapa de identificação da causa do problema. A responsabilidade é solidária de várias entidades e empresas que participaram do processo", completou o secretário.

Sobre a retirada das escoras, José Lauro disse que era uma etapa técnica prevista em cronograma. "Em nenhum momento essas escoras foram retiradas contrariando os mais rigorosos padrões de engenharia", disse.

"Tudo lá foi feito com muita consequência e sem nenhum açodamento por parte das empresas ou por parte da prefeitura", disse o secretário, para quem as escoras ficaram "o tempo necessário" no local.

Uma das testemunhas do acidente, o pedreiro Rodézio Brandão, 35, disse ontem que o concreto estava "verde", ou seja, não teria condições de se sustentar. Ele trabalhava em uma rua próxima ao viaduto.

DIÁRIOS DE OBRAS

José Lauro afirmou ainda que os serviços de fiscalização realizados pela Sudecap, empresa municipal vinculada à Secretaria de Obras e Infraestrutura, são bastante "complexos" e exigem preenchimentos de diários de obras, nos quais tudo é anotado e registrado.

Todos os "ensaios técnicos", como coleta de materiais para exames e um detalhado registro do andamento da obra, disse ele, é anotado nesses diários, "escritos, registrados no nosso acervo técnico", disse.

"Nenhum exame de teste, nenhum ensaio técnico, nenhuma medida preventiva, nenhuma verificação de elementos técnicos, de cálculo, de planilhas, etc., deixou de ser feito em todas as obras", acrescentou.

O secretário não informou quando o viaduto foi vistoriado pela última vez nem se algum problema já havia sido identificado em sua estrutura.

NOVAS VERIFICAÇÕES

Outras obras de mobilidade contratadas pela prefeitura passarão agora por "exames adicionais com base nos já executados", disse ele. Esse cuidado extra, segundo ele, tem o propósito de "garantir à opinião pública a satisfação merecida nessa questão".

A prefeitura descarta, no entanto, paralisar outras obras em andamento após a tragédia desta quinta-feira (3).

Em fevereiro, a fiscalização identificou um problema de desvio em uma das alças de um outro viaduto, próximo ao que caiu. O problema, entretanto, foi corrigido com reforço na estrutura, informou a administração municipal.

Uma outra alça do viaduto que despencou ontem está sendo avaliada pela prefeitura e empresas envolvidas para se saber se ela também precisará ser demolida.

Tão logo a perícia técnica conclua seu trabalho, o viaduto será cortado para que a avenida que passa sob ele seja liberada. Essa desobstrução da via pode ser feita em 24 horas, mas não há prazo para que os peritos concluam as tarefas que têm pela frente.

Enquanto o secretário de Obras dava entrevista, um policial civil entrou na sala para ler em voz alta a ordem que tinha do delegado para levar todos os projetos da obra. A entrevista prosseguiu depois da intervenção.

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