Ibape pedirá que outros viadutos da avenida Pedro I sejam fiscalizados

Objetivo é prevenir para garantir que novos acidentes não voltem a acontecer nestas obras

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Carro está embaixo do viaduto a mais de 12 horas
Lincon Zarbietti O TEMPO
Carro está embaixo do viaduto a mais de 12 horas

Depois de fazer as análises iniciais no viaduto Batalha dos Guararapes, que matou duas pessoas e feriu outras 22 após desabar, nesta quinta-feira (3), o Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape-MG) pretende sugerir que os outros viadutos da avenida Pedro I sejam fiscalizados daqui para frente.

A informação foi repassada na tarde desta sexta-feira (4) pelo presidente do instituto, Frederico Correia Lima, que estava no local do acidente, próximo ao parque Lagoa do Nado, no bairro São João Batista, em Venda Nova. "Além da análise que já estamos fazendo, vamos sugerir que os órgãos competentes façam uma fiscalização nas demais obras da Pedro I, como por exemplo naquele viaduto da rua Montese, que deslocou 30 cm em fevereiro", afirmou.

O objetivo é que a fiscalização seja feita como forma de precaução, para evitar que novas tragédias aconteçam. O presidente ainda explicou como aconteceu o acidente. "O viaduto tinha três pilares de concreto de sete metros de altura, sendo que o pilar do meio, que ficava na alça da avenida, afundou cerca de seis metros no solo. Só um pedaço desse pilar ficou de fora", disse Lima.

Agora, o instituto investiga a causa do afundamento, uma vez que se trata de uma estrutura muito bem sustentada por cinco estacas de concreto, que ficam a cerca de 25 metros de profundidade. "Pode ter sido um erro de projeto ou problema no solo. Estamos vistoriando tudo para, depois, compararmos com as informações do projeto da obra e vermos se está tudo de acordo", explicou o presidente do Ibape. Será levantado também um perfil do solo, para verificar se existe a possibilidade de erro relacionado ao tipo da terra.

A outra alça do viaduto, que permanece em pé, teria sofrido um pequeno deslocamento de 5 cm. "Estamos monitorando e até o momento não houve nenhuma nova movimentação. Colocamos pilares metálicos para garantir a segurança no momento. Por enquanto não há necessidade de demolição desta alça", afirmou.

Ainda na tarde desta sexta-feira (4), esteve presente no local do acidente o promotor de justiça de plantão do Ministério Público, Marco Antônio Borges. Ele afirma que recebeu diversas ligações de representantes dos moradores da região que estavam com medo de terem a estrutura de suas casas abaladas. 

"Vim apenas para ver se tinha alguma medida emergencial que eu poderia tomar. Visitei alguns edifícios, mas não encontrei nada urgente", afirmou. Questionado sobre o tipo de medidas que podem ser tomadas caso a culpa do acidente seja comprovada, o promotor preferiu não supor. "É muito triste que o legado da Copa para BH tenha sido esta tragédia. O que eu puder fazer para punir os responsáveis pelo acidente será feito", afirmou Borges. 

O promotor aproveito para orientar os moradores que estão preocupados a procurarem a Promotoria de Urbanismo, que ficará responsável por estes tipos de levantamentos.

Liberação da via

Além de levantarem informações sobre a causa do acidente, os técnicos do Ibape também estudam, juntamente com os órgãos públicos, a melhor forma de liberação da via, para que seja feito de forma segura. "Tem que decidir se será feita a demolição mecânica ou de outra forma. A demolição mecânica é rápida, termina em até um dia. O que demora mais é a retirada dos entulhos", explicou o presidente Frederico Correia Lima.

Ainda não existe uma previsão para que a perícia do acidente chegue ao fim, porém, assim que ela for concluída a demolição do viaduto deve ter início.