"Vi aquele carro esmagado e aí caiu a ficha", diz vítima

Jovem estava dentro do ônibus da linha 70, que foi atingido pelo viaduto que caiu nessa quinta-feira, e contou como tudo aconteceu

iG Minas Gerais | Bruna Carmona |

Reprodução / Facebook
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A estudante de marketing Penélope Pelegrini, de 29 anos, tinha acabado de guardar o celular na bolsa depois de enviar uma mensagem para o namorado quando ouviu um barulho forte. Ela estava no ônibus da linha S70 que foi atingido pelos escombros do viaduto Batalha dos Guararapes, que desabou nessa quinta-feira (3). Ainda com dores, a estudante conversou com a reportagem de O TEMPO e contou o que aconteceu momentos antes do acidente.

Como você está se sentindo hoje?

Hoje estou melhor. O rosto está muito inchado, um pouco roxo e dor muscular da batida. Mas graças a Deus tô aqui viva!

O que você se lembra do momento do acidente?

Foi tudo muito rápido. Eu tinha mandado uma mensagem no celular, joguei ele na bolsa e daí teve um barulho, tipo de caçamba de entulho, sabe? E ficou tudo preto. Eu já estava no chão do ônibus, com sangue jorrando da boca, com uma mulher em cima de mim e todos foram levantando desesperados para sair, mas a porta estava emperrada. E tinha gente gritando que o outro viaduto ia cair também.

Como vocês conseguiram abrir?

O pessoal da própria obra do viaduto que ajudou a abrir e foi ajudando a tirar a gente.

O que você pensou naquele momento?

Nem tive a dimensão do que tinha acontecido. A passageira que estava do meu lado me sentou no chão, porque como caí, ela pensou que eu pudesse ter fraturado algo. Eu vi que tinha quebrado o dente e vi meu lábio dependurado. Aí segurei com a blusa pra parar de sangrar. Mas só vi mesmo o que aconteceu quando um policial pediu para um motorista que estava atrás levar a gente pro hospital. Quando fui entrar no carro olhei pra trás e vi aquele carro esmagado. Aí foi que a ficha caiu.

De lá você foi levada para o Risoleta Neves? Sua família foi pra lá?

Isso. Um senhor que trabalhava na obra avisou meu marido que foi pra lá.

Quanto tempo você ficou no hospital?

Não sei exatamente a hora que saí nas todos no Hospital foram muito atenciosos. Foi rápido o atendimento. Fizeram raio X de crânio, tórax, tudo...

Você teve alta ontem mesmo, né?

Isso.

E de ontem pra hoje, você recebeu algum contato de alguém da prefeitura ou da construtora?

Não, ninguém entrou em contato, não ofereceram nenhum tratamento, nada. Mas no Hospital fui muito bem atendida.

Você passava pelo Pedro I todos os dias?

Nunca peguei esse ônibus, mas ontem precisava ir ao Shopping Del Rey e era minha única opção de condução daqui do Planalto.

Mas você já tinha visto a situação do viaduto, achava perigoso?

Sempre achamos estranho aqui em casa esses viadutos não terem uma sustentação no meio. Tomara que seja apurado o que aconteceu. Isso não pode ser visto como o prefeito disse em entrevista: "acidentes acontecem". Não batemos o carro, não caímos de bicicleta. Um viaduto caiu na nossa cabeça.

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