Em clima de indignação, corpo de Hanna é velado em Belo Horizonte

Família reclama de descaso dos órgãos competentes e conta que ônibus era a fonte de renda da família

iG Minas Gerais | Bruna Carmona e Luiza Muzzi |

Duas pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas
LEO FONTES
Duas pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas

Está sendo velado na tarde desta sexta-feira (4), o corpo da motorista Hanna Cristina dos Santos, que morreu no desabamento de viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, na região da Pampulha. Cerca de 60 pessoas estão no cemitério Bosque da Esperança para se despedir da vítima, que tinha 24 anos e deixou uma filha de 5.

“Ela pediu para ser motorista para carregar vidas e por isso tinha que proteger vidas. Os passageiros estão falando que ela foi uma heroína de ter freado e conseguido evitar que outras pessoas fossem atingidas”, disse o pai de Hanna, José Antônio dos Santos, de 61 anos, que é motorista aposentado.

Ele contou que vive com a esposa em Florestal, na região metropolitana de Belo Horizonte, e que foi avisado do acidente pelo ex-marido da filha. Santos diz que veio para a capital ainda sem saber se Hanna havia morrido ou não, e que a confirmação veio pelo rádio. Ele conta que no momento em que a mulher ouviu o nome de Hanna ficou muito emocionada e, nervosa, ameaçou pular do carro em movimento. A mãe da motorista teve que ser contida para que o casal seguisse viagem.

Santos definiu a filha como uma pessoa muito alegre, ótima motorista e muito apegada à filha, de 5 anos. A criança, que estava no ônibus no momento do acidente, foi atendida no Hospital Risoleta Neves e teve alta na manhã desta sexta-feira. Ela recebeu a notícia da morte da mãe pela psicóloga do hospital e aparenta estar tranquila.

A cunhada de Hanna, Débora, que era trocadora do ônibus, está acompanhando o velório. Ela está com vários curativos pelo corpo e, muito nervosa, preferiu não falar com a imprensa.

O ônibus, segundo o pai de Hanna, era a fonte do sustento da família, que tem seis membros. Um primo da vítima, que preferiu não ter o nome divulgado, reclamou do descaso das autoridades com o ocorrido. Segundo ele, até o momento, a empresa responsável pela obra não manifestou apoio à família. Apenas um representante da prefeitura esteve no velório para prestar solidariedade aos familiares, mas de acordo com ele, “quando tudo já estava resolvido”.

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