Parceira da Fifa tenta identificar donos de ingressos desviados

Empresa Match Services fotografaram os 200 bilhetes apreendidos durante operação policial

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Grupo chegava a faturar R$ 1 milhão por jogo da Copa do Mundo com a venda de ingressos
POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO/DIVULGAÇÃO
Grupo chegava a faturar R$ 1 milhão por jogo da Copa do Mundo com a venda de ingressos

Dois funcionários da empresa Match Services, única autorizada pela Fifa a comercializar ingressos da Copa, estiveram na manhã desta sexta-feira (4) na 18ª DP (Praça da Bandeira), zona norte do Rio, em busca de informações sobre as investigações que levaram à prisão de 11 pessoas até o momento.

Os detidos são apontados como integrantes de uma quadrilha internacional de venda ilegal de ingressos para o Mundial.

Os funcionários da Match fotografaram todos os 200 ingressos apreendidos na operação policial. A ideia é saber se eles são verdadeiros, qual a origem e para onde foram destinados.

Essas informações irão basear um relatório interno que está sendo elaborado pela empresa e ainda auxiliará nas investigações da Polícia Civil do Rio. A Match Services pertence aos irmãos Jayme e Enrique Byrom e já fechou contrato com a Fifa para vender os ingressos para a Copa da Rússia, em 2018.

Inimigo número um da Fifa, o jornalista escocês Andrew Jennings denunciou em seu último livro, "Um jogo cada vez mais sujo", a existência de um esquema dentro da Fifa para desviar ingressos da Copa do Mundo e revendê-los por um valor mais elevado no mercado paralelo.

Na obra, Jennings relata que já ouviu de um cambista que "até 40% dos ingressos saem pela porta dos fundos da Fifa".

Desde 2010, depois da Copa da África do Sul, 5% da Match foi adquirido pela empresa Infront Sports & Media, cujo presidente é Philippe Blatter, sobrinho do presidente da Fifa.

GRAÚDO

O delegado Fábio Barucke, da Polícia Civil do Rio, ainda espera por ajuda da Fifa para auxiliar na identificação de um funcionário estrangeiro da entidade, suspeito de integrar o grupo.

Barucke vai pedir à Justiça a quebra de sigilo do telefone celular usado pelo funcionário da Fifa em contatos no Brasil com o argelino Mohamadou Lamine Fofana, acusado de chefiar uma quadrilha de venda ilegal de ingressos para a Copa.

O promotor Marcos Kac, que acompanha as investigações, afirmou que se trata de uma pessoa de nacionalidade suíça, "um graúdo".

"Quando se revelar [o nome do suíço] vai abalar a estrutura da Fifa", disse Kac, na noite desta quinta. Ele afirmou também que o "graúdo" da Fifa não foi procurado porque a polícia ainda levanta provas contra ele.

ESQUEMA Lamine Fofana e mais dez pessoas foram presas na terça-feira (1º) na operação Jules Rimet, que investiga a atuação de uma quadrilha que vendeu ingressos para todos os jogos da Copa até as oitavas-de-final.

A participação de uma pessoa de dentro da Fifa foi denunciada por um dos presos, o advogado paulista José Massih, preso em São Paulo e transferido para o Rio, onde prestou depoimento. Massih nega participação no esquema.

Barucke pedirá a prisão de outras sete pessoas, entre elas um chinês que atua em São Paulo, que também integrariam a quadrilha. A polícia trabalha contra o tempo para concluir as investigações e pedir à Justiça a prisão de novos acusados antes da final da Copa, no dia 13, quando os suspeitos de nacionalidade estrangeira deixarão o país.

De acordo com o delegado, quando tinha dificuldade de obter alguma dessas entradas, o argelino ia até o hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio. De lá, o argelino saía com os ingressos para os jogos. O hotel é o QG da direção da Fifa para a Copa do Mundo.

"Tentei infiltrar um policial lá. Não consegui, mas ele (Lamine Fofana) ia sempre ao hotel", disse o delegado.

O advogado de Lamine Fofana, Alexandre Corrêa, disse que a prisão é arbitrária e que seu cliente nega todas as acusações.

O delegado tem apenas o número do telefone celular e o primeiro nome deste suposto integrante da entidade máxima do futebol, ouvido em conversas gravadas com autorização da Justiça.

As investigações iniciadas há três meses mostram que antes do início da Copa, Lamine Fofana mantinha contatos diários com um telefone em Zurique, na Suíça.

"Ele buscava com o contato em Zurique os ingressos mais caros, de hospitalidade, por isso, há a suspeita de envolvimento de alguma pessoa também da Match", disse o delegado em entrevista na manhã desta quinta, três.

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