Filho de vice da Fifa admite ter vendido ingressos para amigo

Entrada com nomes de familiares de presidente da AFA estava entre apreendidas pela polícia na "Operação Jules Rimet'

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

NATACHA PISARENKO/AP PHOTO - 4.11.2008
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O filho mais velho do presidente da AFA (Associação de Futebol da Argentina) e vice da Fifa, Julio Grondona, admitiu ter revendido ingressos da Copa do Mundo. Uma entrada com o nome de Humberto Mario Grondona, que também é técnico da seleção argentina sub-20, está entre os mais de cem bilhetes apreendidos na "Operação Jules Rimet".

Na terça-feira (1º), a polícia do Rio prendeu 11 pessoas envolvidas com um esquema de cambismo de entradas do Mundial que lucrou, pelo menos, R$ 1 milhão por jogo.

"Sou instrutor da Fifa e tenho quatro entradas para o primeiro jogo, quatro para o segundo, quatro para o terceiro, quatro para as oitavas, quatro para as quartas, duas para as semifinais e duas para a final e comprei todas por mais de US$ 9 mil", disse o filho do dirigente, em entrevista à rede de TV TycSports.

"Tenho um amigo, que é muito conhecido na Argentina, que queria vir e vendi a ele alguns ingressos. Ele, por sua vez, deu ingressos a outro amigo. Agora, o que fizeram com as entradas, eu não sei", adicionou.

O filho de Grondona disse ter "atuado de boa fé" e negou participação no esquema de desvio de ingressos para cambistas, mas se recusou a dar o nome do amigo que recebeu seus ingressos. Após uma reunião com a polícia em que teve acesso às entradas apreendidas, a Fifa promete rastrear nesta sexta (4) a origem dos ingressos que faziam parte do esquema.

De acordo com as investigações, a quadrilha comercializou ingressos para todos os jogos do Mundial até as oitavas de final.

Entre os envolvidos está o franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana. Para o delegado, ele seria o contato com a Fifa para a obtenção de ingressos. Segundo o promotor Marcos Kac, o envolvido da entidade no escândalo é um "graúdo".

"A Fifa gostaria de confirmar que Mohamadou Lamine Fofana nunca foi credenciado para a Copa do Mundo da Fifa e não teve acesso a nenhum carro oficial da Copa do Mundo da Fifa", adicionou o diretor de marketing.

As investigações sobre o esquema começaram há três meses. São 50 mil registros de gravação. A Polícia Civil ouviu até o momento 25 mil, o que indica aos policiais que outras pessoas ainda podem surgir no esquema.

OUTRO LADO

Procurada pela reportagem, a AFA disse desconhecer qualquer esquema de desvio de ingressos da Copa. 

"Essa instituição recebeu da Fifa apenas as entradas de protocolo para serem utilizadas pelos familiares dos jogadores, ex-jogadores e dirigentes. E esses tíquetes foram entregues a seus destinatários."

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