As histórias de James Rodríguez, o perfeccionista que odeia perder

Super FC conversou com pessoas próximas ao craque colombiano, principal esperança do adversário do Brasil na tarde desta sexta-feira

iG Minas Gerais | GABRIEL PAZINI* |

Image Description :	Colombia's James Rodriguez (10) celebrates with teammate Colombia's Juan Cuadrado after scoring his side's first goal during the group C World Cup soccer match between Colombia and Ivory Coast at the Estadio Nacional in Brasilia, Brazil, Thursday, June 19, 2014. (AP Photo/Fernando Llano)
AP Photo/Fernando Llano)
Image Description : Colombia's James Rodriguez (10) celebrates with teammate Colombia's Juan Cuadrado after scoring his side's first goal during the group C World Cup soccer match between Colombia and Ivory Coast at the Estadio Nacional in Brasilia, Brazil, Thursday, June 19, 2014. (AP Photo/Fernando Llano)

Um craque precoce. Talvez essas sejam as palavras mais usadas ao se falar de James Rodríguez. No entanto, para pessoas próximas do camisa 10 colombiano de 22 anos, James é muito mais do que o melhor jogador da Copa do Mundo até o atual momento e o artilheiro do Mundial com cinco gols.

O Super FC conversou com pessoas próximas ao craque dos Cafeteros e ouviu algumas histórias da carreira do camisa 10. A reportagem conversou com os empresários Fernán Martin e Bruno Carpeggiani, além do jornalista Daniel Molina. Infelizmente, não foi possível conversar com a mãe do meia, que está no Brasil sem celular.

Confira as histórias da carreira do craque colombiano:

"Inacreditável"

Como já foi escrito e comentado no Super FC, James Rodríguez é um craque precoce. Com apenas quatro anos, ele já jogava futebol. Com 16 foi incorporado ao time profissional do Envigado e foi o principal nome do time campeão da segunda divisão colombiana, que conseguiu o acesso à elite futebolística do país. Apenas um ano depois, com 17, o meia se transferiu para o Banfield, da Argentina. O empresário italiano Bruno Carpeggiani conta a história:

"É um tanto curioso e a vida tem dessas coisas... Lembro que em 2004 e 2005 conversei muito com alguns amigos colombianos, um deles é o Silvio, que descobriu o James, e eles me disseram que tinha um garoto muito bom de bola, que seria o novo Valderrama. Sabe como é... Sempre existem essas comparações de 'novo isso', 'novo aquilo', então ficamos meio pé atrás. De qualquer forma, me falaram que ele já era chamado de 'El Nuevo Pibe' (Valderrama era chamado de 'El Pibe) e que seria um astro, que ele já se destacava nas categorias de base do Envigado. Fiquei meio curioso com aquilo e acompanhei James, mas não fui até a Colômbia", lembra.

"Mas aí, o James arrebentou logo no ano em que virou profissional. Foi titular, campeão e acabou indo para a Argentina, jogar no Banfield. Meus amigos colombianos me procuraram novamente e acabei indo para a Argentina, ver o James de perto. Ainda bem que eu fui. Olha, é inacreditável o que o garoto fazia com a bola. Ele é muito precoce. Era muito jovem, estrangeiro e por isso acabou não jogando muito em seu primeiro ano, ficou mais treinando, mas era incrível. Depois de um ano, ele virou titular e o cara do time. Conquistou o primeiro título argentino da história do Banfield", conclui.

Por pouco, o destino não foi outro

Com o sucesso na Argentina, James Rodríguez chamou a atenção do futebol europeu. A Udinese ofereceu 5 milhões de euros, mas o Banfield achou o valor baixo e não negociou seu craque. Seis meses depois, o colombiano acabou acertando com o Porto, numa transação de 5,1 milhões de euros, mas o destino, como lembra Carpeggiani, poderia ter sido outro.

"Desde sempre, muitos clubes estão interessados no James. Não poderia ser diferente. Mas nessa época do Banfield, era incrível a quantidade de coisas concretas que surgiram. Barcelona e muitos times queriam ele. Como você sabe, ele quase foi para a Udinese, mas o Banfield não quis o negócio. Pouco tempo depois, a Juventus tentou negociar, mas também não foi possível fechar o negócio. Conversei então com o Ramon Planes (diretor esportivo do Espanyol), que é meu amigo, e o James quase assinou com o Espanyol para jogar na Espanha, mas a transação também não se concretizou. Teve até o Manchester United, que mostrou interesse nele, mas acabou acertando com outros jogadores. No fim das contas, fechamos com o Porto, e bem, deu muito certo", diz.

"Diferente e perfeccionista"

Como todos sabem, James Rodríguez foi multicampeão no futebol português e se consolidou como um dos melhores jogadores jovens do mundo. No ano passado, ele foi contratado pelo Monaco por 45 milhões de euros e se tornou o cara do time, curiosamente também tomando o posto de referência de Radamel Falcao García - como fez na seleção - que se lesionou no meio da temporada europeia. O meia não conquistou títulos na França, mas levou o Monaco de volta à Uefa Champions League e fez uma excelente temporada.

E todo sucesso, mesmo com o colombiano tendo apenas 22 anos, se deve ao fato de ele ser perfeccionista, como conta o agente Fernán Martin.

"O James é muito precoce, como você disse, e acho que isso é porque ele é perfeccionista, pragmático e muito focado. Todo mundo sabe que os jogadores não gostam muito de treinos físicos e gostam mais de ficar com a bola. O James além da bola, dá o máximo nos treinos físicos. Ele sempre faz mais do que seus treinadores pedem", conta o empresário, que também falou sobre a personalidade do craque.

"Ele é um guerreiro e um garoto muito prático, seguro e tranquilo, como é dentro de campo. Ele ama e faz tudo pela sua família. Ele joga por eles também. O James também é muito comprometido e realista. Outra coisa é que ele odeia perder. Perder é uma coisa que ele não suporta. Por isso que ele nunca desiste", conta.

Nota Super FC: Fernán Martin e Bruno Carpeggiani são alguns dos empresários de James Rodríguez, que também tem o famoso Jorge Mendes como agente.

Contra o Brasil

A Colômbia enfrentará o escrete canarinho na tarde desta sexta-feira, às 17h, no Castelão, em Fortaleza, pelas quartas de final da Copa do Mundo. É inegável que o Brasil não empolgou no Mundial e precisa melhorar muitos pontos - táticos, técnicos e psicológicos -, enquanto os Cafeteros são a sensação do campeonato. E para Martin, a Colômbia vencerá o jogo, claro, com grande atuação do camisa 10 da equipe.

"Vamos ganhar e com grande atuação do James. Ele é um jogador diferente dos outros, que sempre está um passo na frente. Ele é extremamente preciso em suas decisões, resolve tudo muito rápido, mesmo pensando cada passo com cuidado. Além disso, ele é muito técnico e tem muita força mental. Com tudo isso, fica fácil explicar aquele golaço dele contra o Uruguai. Ele é muito talentoso e está preparado para o jogo, tanto técnica quanto física e psicologicamente", afirma o empresário, que ainda afirma que a Colômbia será campeã.

A experiência que faltou 20 anos atrás

Vinte anos atrás, a Colômbia teve um time que, assim como esse, encantava. Valderrama, Rincón, Asprilla e outros jogadores formaram uma equipe que fez 5 a 0 na Argentina em pleno Monumental de Núñez e chegou como favorita na Copa de 1994. No entanto, o time acabou decepcionando. Agora, vinte anos depois, os Cafeteros, com uma nova geração de atletas talentosos, fazem sua melhor campanha na história dos Mundiais e sonham com o título.

Por conta disso, é normal que ocorram comparações e a discussão sobre qual time é o melhor. Para o jornalista Daniel Molina, do diário colombiano 'El País', a comparação é injusta e não tem como escolher uma equipe, mas ele vê a esquadra atual como "mais preparada para o sucesso".

"A equipe de vinte anos atrás era muito talentosa, mas não tinha tanta experiência como a atual. O nosso time de hoje conta com jogadores que atuam na Europa e estão acostumados com os grandes jogos. O James Rodríguez, que tem só 22 anos, já jogou Champions League e enfrentou os melhores jogadores do mundo. O Valderrama, 20 anos atrás, não tinha essa experiência, e isso faz muita diferença. Temos jogadores em clubes importantes na Europa, coisa que também não tínhamos vinte anos atrás. A gente percebe isso na Copa do Mundo. Até seleções menores conseguem fazer frente aos grandes times por conta desta experiência internacional de seus jogadores", analisa.

Outro fator importante para o jornalista é a presença do técnico argentino José Pékerman. "O Pékerman faz muita diferença. Ele trabalha muito bem a parte psicológica, é experiente, muito inteligente na questão tática e elementos técnicos, e sabe tirar o melhor do time. Ele também sabe variar o estilo do time, tanto o estilo tático quanto o padrão de jogo", conclui.

Futuro

Os empresários do camisa 10 colombiano também falaram com a reportagem sobre o futuro do jogador, que está na mira de muitos clubes da Europa. Fala-se muito sobre o Real Madrid, porque James Rodríguez gosta do clube, tem Cristiano Ronaldo como ídolo e um de seus empresários, Jorge Mendes, também é agente do craque português e tem ligação com os Blancos. No entanto, Fernán Martin e Bruno Carpeggiani garantem que ainda não tem nada certo, mas também não desmentem.

"O James sempre atraiu o interesse de vários clubes. Foi assim no Banfield, Porto e até no Monaco. Ele tinha só seis meses de clube e já queriam tirar ele da França. Agora, com a Copa do Mundo, é claro que existem muitos clubes interessados, mas não existe nada oficial ainda", conta Carpeggiani.

"Muitos times querem ter o James no elenco. Existem várias equipes interessadas, sempre existiram, mas agora, com a Copa, é claro que o número é ainda maior. Ainda não fechamos negócio porque estamos esperando o final do Mundial. O James está com a Colômbia e isso é o mais importante. Depois da Copa vamos sentar, conversar, ver o que é melhor para o James e decidir em qual clube ele vai jogar", explica Martin.

*com supervisão de Leandro Cabido

Leia tudo sobre: seleção colombianajames rodriguezmeiacraquedestaquejogadorhistoriaCopa do Mundocolombiafutebol