Sem ou com favoritismo?

iG Minas Gerais |

Os presidenciáveis vivem, neste momento, uma instabilidade, que torna qualquer prognóstico um tanto quanto arriscado. A única análise que é possível fazer sem muita preocupação é que a disputa será mesmo muito acirrada. Os motivos pelos quais essa instabilidade acontece são vários, mas alguns chamam a atenção. É claro que é sempre muito difícil prever os caminhos que uma campanha presidencial pode ter. A imprevisibilidade é uma característica da disputa. Porém, quando um candidato carrega algum tipo de favoritismo, ele provoca nas campanhas adversárias reações que estão dentro de um arcabouço de expectativas já conhecido. Não é bem o caso agora. Dilma Rousseff, por ser a candidata à reeleição e por ter o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode ser considerada favorita? Em tese, sim. Ela seria a favorita. Mas, ao colocar na balança outras vertentes de análise, a resposta pode ser outra. A petista, como todo gestor que sucede um outro com alto índice de aprovação, tem muitas dificuldades. Usando uma expressão muito bem escolhida pelo senador Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, há um “esgotamento das práticas petistas”. As ações voltadas para o social, como o Bolsa Família, e para a ampliação da empregabilidade e da renda foram muito boas para o país, mas estão consolidadas e estabilizadas. A manutenção das atuais condições é a exigência do momento. E isso não é mais uma capacidade exclusiva do PT. Atualmente, o PSDB reconhece a importância dessas iniciativas e já diz em voz alta que pretende mantê-las. Em outras palavras: aconteceu o que Lula dizia que queria – a sociedade se apoderou dos programas sociais. Ótimo, mas o PT perdeu bandeira, da mesma forma que também ficou de mãos vazias quando viu o processo do mensalão jogar no chão o seu título de defensor da ética e da moralidade. Portanto, Dilma parece ser uma favorita que perdeu seus principais predicativos. Se ela será capaz de criar novos diferenciais é uma pergunta ainda a ser respondida. Mas se Dilma passa por instabilidades, os presidenciáveis Aécio Neves e Eduardo Campos não estão em situações de tranquilidade. Aécio terá que apresentar para o eleitorado atrativos e diferenciais em relação à proposta petista de gestão, o que o PSDB não conseguiu fazer em pleitos anteriores. Também terá que vencer um certo desconhecimento em algumas regiões do país. Já Eduardo Campos terá que fazer muito esforço para mostrar que tem algum projeto. Ele e o seu partido, o PSB, sempre foram aliados do PT, inclusive em Pernambuco. Além de mosrar a que veio e explicar que não está oferecendo o mesmo peixe que Dilma já colocou na mesa, Campos, como Aécio, também convive com o desconhecimento.

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