A preocupação se confirmou

Tremedeira, serviços de madrugada para agilizar a entrega e queda de resíduos foram relatados

iG Minas Gerais | Luciene Câmara e Joana Suarez |

Convívio.Vizinhos do viaduto dizem que vários problemas ocorreram desde o início da obra, como rachaduras e trepidações
LEO FONTES / O TEMPO
Convívio.Vizinhos do viaduto dizem que vários problemas ocorreram desde o início da obra, como rachaduras e trepidações

As obras na avenida Pedro I não ficaram prontas para a Copa do Mundo, conforme o prometido pela gestão municipal, mas a correria para que o máximo de estruturas possível ficasse em condições de ser utilizado pela população já vinha assustando moradores e comerciantes da região. Dia e noite, eles tinham de conviver com barulho da construção e temiam que as constantes trepidações provocadas pelas máquinas abalassem as estruturas de seus imóveis. Nessa quinta, em meio ao evento esportivo e poucos dias antes do jogo da semifinal que será realizado no Mineirão, na próxima terça-feira, o medo se confirmou.  

“Eu sempre tive medo que isso acontecesse. Era só passar um trator aqui, e a casa da gente tremia”, relatou a dona de casa Jucilane Alves Martins, 33. No conjunto de prédios ao lado do viaduto, a obra vinha tirando o sossego dos moradores há cerca de um ano. Nessa quinta, todos os que estavam em seus apartamentos sentiram os tremores e ouviram o barulho do viaduto desabando.

Bastante irritada, a gerente administrativa Raquel Nardin, 33, desabafou dizendo que, nos últimos meses, o trabalho nas estruturas ficou mais intenso varando madrugada afora. “Fiquei várias noites sem dormir porque o barulho era grande. E só piorou recentemente”, conta, ainda assustada com tudo o que havia ocorrido. Ela acredita que os trabalhos no viaduto começaram a ser feitos na correria com a proximidade do evento esportivo.

O apartamento da garçonete Stefany Almeida, 18, fica bem ao lado do viaduto. Segundo ela, ainda pela manhã, antes do acidente, foi ouvido um primeiro estrondo, que a deixou preocupada. “A gente tinha medo dessa obra. Eles fizeram a ligação do viaduto muito rápido”, disse.

Susto. Assim que a estrutura caiu ao lado dos prédios, militares entraram nos apartamentos pedindo para os moradores saíssem de casa porque não se sabia o que poderia ocorrer. No fim da tarde, a Defesa Civil Municipal esteve nos edifícios e constatou que eles não sofriam risco nem foram abalados, liberando os moradores a ficarem em suas casas.

Nenhum imóvel ficou interditado após o acidente. Mas o medo de outras estruturas desabarem permanece em que mora por perto. A estudante Lorrane dos Santos, 16, estava em casa na hora da queda da viaduto e disse que o prédio tremeu inteiro. A mãe dela, Elida Regina dos Santos, 40, voltou correndo para casa quando ficou sabendo da queda. “Com o desabamento, o muro do prédio rachou e uma das vigas do viaduto caiu no quintal”, afirmou. “Vamos dormir com medo de desabamentos”, complementou Lorrane.

Durante toda a tarde e a noite dessa quinta, o movimento de moradores da região no local foi intenso. Todos queriam saber notícias da tragédia. O local foi isolado por um cordão e vários policiais.

Manifestação Enquanto o Corpo de Bombeiros trabalhava fazendo a retirada das vítimas, um grupo de manifestantes – a maioria moradores da região da Pedro I – protestava contra as intervenções. Entre as principais queixas estão a falta de segurança para pedestres, operários e vizinhos das obras da avenida. A falta de diálogo por parte da Prefeitura de Belo Horizonte também está entre as reclamações. Há quatro anos, os moradores estariam esperando um posicionamento da prefeitura em relação às obras na avenida.

Sorte O motorista de suplementar Rubem Junior Gonçalves, 28, trabalhava na mesma linha de Hanna Cristina. Ele disse que poderia estar no volante do coletivo na hora do acidente, mas trocou de horário e ficou para o turno da noite. “Escapei por pouco. Quem podia imaginar uma coisa dessas?”. Também proprietária de um suplementar, Claudinila Frias, 41, era amiga de Hanna. “Ela era uma mulher muito alegre. Saíamos sempre juntas para nos divertir”. Até nessa quinta não havia informações sobre onde seria o velório.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave