Boa avaliação da Copa faz oposição mudar o discurso

Declarações pessimistas prevendo o caos no país deram lugar a torcida pela seleção

iG Minas Gerais | iSABELLA lACERDA |

Aprovação. Orgulho da população com a realização do Mundial no Brasil saltou de 45% para 60%
LEO FONTES / O TEMPO
Aprovação. Orgulho da população com a realização do Mundial no Brasil saltou de 45% para 60%

O quadro desastroso da Copa do Mundo no Brasil já havia sido pintado pela oposição: caos nos aeroportos e nas estradas, manifestações violentas e uma onda crescente de insatisfação nas ruas. A realidade, porém, acabou se mostrando outra, o que obrigou os políticos contrários ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) a mudarem o discurso e a postura.  

Se até poucos dias antes do início do Mundial o mais comum eram as declarações pessimistas pregando o caos no país, agora o clima de patriotismo parece ter chegado até os mais críticos ao governo. As falas negativas dos políticos sobre o país pararam de ser divulgadas, dando lugar a fotos com roupas verde-amarelas nos estádios e nas torcidas organizadas com amigos e familiares.

Os exemplos são muitos (veja quadro abaixo). Entre as lideranças nacionais, ainda em abril, o senador José Agripino (DEM) previu que os torcedores não chegariam pontualmente aos estádios com os problemas de mobilidade. “Para que as pessoas consigam chegar, é preciso que essas obras (de mobilidade) estejam prontas. Lamentavelmente, não vão ficar prontas”, questionou o presidente nacional do DEM. Menos de dois meses após a declaração, no último dia 23, o senador divulgou foto em que aparece na torcida pelo país. “Vamos lá, Brasil! Estamos todos na torcida!”, postou em seu perfil no Twitter.

Em Minas, alguns deputados de oposição ao governo federal também mudaram de discurso, pelo menos no que diz respeito à Copa. “O povo quer saúde, educação, e o governo gasta bilhões com a Copa”, discursou o deputado federal Domingos Sávio (PSDB) em maio. Na estreia do campeonato, porém, o tucano fez questão de divulgar sua torcida pela seleção. “Vamos ganhar esta Copa e nos unir ainda mais para derrotar os corruptos”, afirmou.

O comportamento dos presidenciáveis não é diferente. Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) fizeram ao longo do primeiro semestre deste ano discursos contrários à realização do torneio e destacaram a “incompetência” do governo federal. Com os problemas minimizados, o foco passou a ser a torcida pela seleção.

Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Flávio Testa, a Copa do Mundo somente dará munição à oposição se o Brasil for eliminado nos próximos dias. “Se o Brasil sair, pode ser que haja um mau humor momentâneo da população. Isso poderá ser o pontapé inicial para começar a campanha e para a remontagem do discurso da oposição. Eles dirão que avisaram que daria errado. Da mesma forma que a derrota vai desmontar a estratégia governista”, diz.

Em 1950, políticos colaram suas imagens ao Mundial Se neste ano os políticos têm evitado aparecer nos estádios e passar por situações constrangedoras com medo dos reflexos nas urnas, na Copa do Mundo de 1950 o quadro era outro. Dezenas de candidatos usaram o torneio como palanque eleitoral. No ano do torneio, o Brasil também passava por eleições, e os candidatos não só faziam questão de visitar treinos, como também posavam para fotos e discursavam para jogadores. Antes da final do campeonato, por exemplo, os atletas receberam a visita de políticos que queriam associar suas imagens à de um time até então favorito para vencer o Mundial. O torneio ainda foi usado para melhorar a visão do país no exterior.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave