Quando os diabos moram na casa ao lado

Unindo boas piadas a roteiro bem resolvido, “Vizinhos” é boa opção ao caos barulhento dos blockbusters em cartaz

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

Rogen e Byrne querem ser jovens, sem o barulho e a ressaca do dia seguinte
Universal
Rogen e Byrne querem ser jovens, sem o barulho e a ressaca do dia seguinte

Com a avalanche de exemplares medíocres, como “Uma Ladra sem Limites” (o humor baseado na persona do comediante sem uma história para acompanhar) e “Inatividade Paranormal 2” (a batida fórmula da paródia que só repete sem realmente subverter a obra parodiada), é fácil imaginar que a vida inteligente na comédia norte-americana migrou de vez para a TV. Talvez seja por isso que o hilário “Vizinhos”, em cartaz desde 19 de junho, esteja passando batido pelo público nacional.

A trama traz Mac (Seth Rogen) e Kelly (Rose Byrne) como um casal de 30 anos com um bebê recém-nascido, que se descobrem vizinhos de uma república liderada por Teddy (Zac Efron). Mac e Kelly estão naquela fase da vida em que não conseguem mais virar a noite em uma festa e ir trabalhar no dia seguinte. Mas também não querem admitir que passaram para o lado negro da Força e se tornaram os caretões corta-barato que odeiam os jovens barulhentos.

É nesse conflito interno que o roteiro de Andrew J. Cohen e Brendan O'Brien alicerça seu humor, e não nos estereótipos e clichês machistas da “comédia de república”. Seu segredo é não fazer de Rogen um Adam Sandler em torno do qual todo o filme gira, mas sim construir uma série de personagens com personalidade e humor próprios.

A mais beneficiada disso é Rose Byrne. Num longa comum, sua Kelly seria a esposa certinha consertando as loucuras do marido (um clichê que o próprio roteiro discute). Mas no filme dirigido por Nicholas Stoller ela é tão insana e engraçada quanto Mac e talvez protagonize a cena mais hilária da produção em uma lactação pós-porre.

Da mesma forma, “Vizinhos” entende que a genética privilegiada de Zac Efron só é aceitável em um personagem burro, mesquinho e egocêntrico. O filme não é perfeito, alguns diálogos são abaixo da média e certas cenas se estendem além da conta. Mas ao revelar na tela traços de uma geração que se reconhece nas discussões de seus personagens, o longa resgata uma relevância que a comédia hollywoodiana parece ter esquecido.

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