A falta de artesania do mexicano Si Señor

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Culinária tex-mex do Si Señor, na praça de alimentação do BH Shopping, é honesta, mas nada excepcional, ainda mais se puxarmos pela memória, evocando o saudoso Chili's, que espera substituto à altura. Uma pena seu desaparecimento, na praça de alimentação do Ponteio, que, aliás, precisa ser revigorada. Só o Hokkaido resiste bravamente como opção de qualidade. E a atmosfera ali é tão agradável, intimista... Tinha e tem tudo para se diferenciar em matéria de culinária de shoppings. A comida do Si Señor perde na condimentação para a do Chili's. É menos marcante e mais frequentada por itens como o queijo cheddar, bem ao agrado dos irmãos do norte. Para resumir, se amanhã a casa fechasse, não deixaria tanta saudade. Francamente, cheddar não combina com pasta de frijoles. Azeda o prato. Tomates têm outro tipo de acidez, fresca, ao contrário da do queijo. Sua presença pode e deve ser acentuada, no contraste com os nachos crocantes, bem feitos. As tortilhas, por sua vez, são assim, assim. Falta-lhes corpo, aroma e, em bom e compreensível castelhano: artesanía. De todo modo, recheadas com as fajitas de carne bovina, guacamole correta, pico de gallo, espécie de vinagrete, também carente de tempero, matam a saudade de quem procurava, sem achar, comida do gênero em BH.  Dai-nos pimenta, minha gente, muuuuito mais pimenta. No Si Señor até o molho dela é comedido. E a ardência extra só se consegue com tabasco industrializado. E se é assim que rola, melhor ficar no linguado com camarões, saborosos e menos necessitados de exuberância, certamente. Mas mexicano, de verdade, é tudo, menos comedido. Eles são alegres, passionais, dramáticos e desorientados que nem uma moça adorável, que eu namorei anos atrás. Até esquecer ingressos dos jogos nos táxis eles têm feito, mais do que qualquer outra nacionalidade... Por isso, minha gente, ponham alma na comida do restaurante, quem sabe dividindo o cardápio entre culinária típica e culinária... amestrada. Afinal, reza o bolso que não se desagrade a galerinha batata frita, que se espreme nas filas dos filmes repetitivos do Cinemark, cujas suas salas são território exclusivo de crianças e adolescentes. A nós, amantes da opulenta culinária mexicana, deem mais motivos para voltar.  Antes de terminar: cadê aqueles analistas que apregoavam o caos nos aeroportos e no transporte para os estádios, hein? Eita vontade de ver o circo pegar fogo! Como se pode comprovar, tem black blocs de todo tipo neste país.

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