Vírus comum nesta época do ano é alerta entre prematuros

Na maioria das crianças, problema se manifesta como um resfriado

iG Minas Gerais | Andréa Juste |

A vacinação é uma das principais formas de prevenção de diversas doenças, especialmente para as crianças. E os bebês prematuros, que vêm ao mundo já lutando pela vida, também têm que ficar em dia com a imunização. Entre os tratamentos preventivos para os pequenos está o palivizumabe, uma importante arma contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa de doenças respiratórias e hospitalização entre aqueles que nascem antes da hora.  

“O VSR é um vírus muito conhecido pelo pediatra, pois agride muito o pulmão de crianças, principalmente abaixo dos 2 anos. Nesta época (entre abril e agosto), os hospitais estão cheios de crianças internadas com o vírus. A maioria tem o resfriado comum, mas em crianças muito pequenas, abaixo dos 6 meses, prematuras e com outros riscos, há uma alta mortalidade”, alerta o pediatra Wilson Rocha Filho, coordenador do serviço de pneumologia pediátrica do Hospital Infantil João Paulo II, em Belo Horizonte.

O médico explica que o palivizumabe não é uma vacina, mas um tratamento preventivo – cuja cobertura agora está maior na rede pública. Isso favorece inúmeras crianças, uma vez que o alto custo do tratamento é um entrave, segundo o pediatra José Geraldo Ribeiro, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. “Cada ampola custa próximo dos R$ 5.000, e, em geral, gasta-se uma ampola por criança (para tratar)”.

Mas uma portaria do governo federal determinou que os critérios para a disponibilização do palivizumabe sejam ampliados. “Existem protocolos internacionais que apontam quais as crianças que devem usar, aquelas de maior risco. Mas os critérios do governo de Minas eram muito rigorosos, (e o tratamento) não atendia nem 10%. Agora, com a portaria recomendando que todos os Estados sigam protocolos nacionais para a liberação desse medicamento, o tratamento aumentou em 100% neste ano (na rede pública), em Belo Horizonte”, diz Rocha Filho.

Na capital, somente o Hospital Infantil João Paulo II está credenciado a receber o palivizumabe, segundo a Secretaria de Estado de Saúde. Os critérios para o tratamento incluem crianças com menos de 1 ano que nasceram prematuras com idade gestacional menor ou igual a 28 semanas e as com até 2 anos com doença pulmonar crônica ou doença cardíaca congênita.

“Cabe ao posto de saúde que examina a criança solicitar o preenchimento do protocolo para que ela receba o medicamento”, diz Rocha Filho.

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