Após morte em blitz, toque de recolher gera tensão

Carros foram incendiados e via bloqueada com pneus

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Justiça. 
Em protesto, população ateou fogo a pneus, fechando via
FOTO: NELSON BATISTA / O TEMPO
Justiça. Em protesto, população ateou fogo a pneus, fechando via

 

Os moradores do Jardim Teresópolis vivem momentos de tensão. É que amigos de Ueberson Gomes de Moura, o Binha, 26, morto na última segunda-feira (30) por policiais militares que faziam uma blitz na avenida Juiz Marco Túlio Isaac, na altura do bairro Imbiruçu, implantaram um toque de recolher na região onde a vítima morava.    De acordo com comerciantes do bairro, que pediram para não ser identificados por medo de represálias, um rapaz passou nos estabelecimentos logo após o ocorrido pedindo para que os proprietários baixassem as portas em respeito a Ueberson. Por causa do fato, todas as lojas do Teresópolis ficaram fechadas na terça-feira (1°). Já à noite, dois veículos de passeio foram destruídos, e um ônibus de turismo teve o seu interior parcialmente danificado, após serem incendiados por pelo menos quatro homens.    “Fomos avisados de que um grupo havia incendiado um Corcel II, aparentemente abandonado, na rua Jequié, por volta das 20h. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas o veículo já havia sido consumido pelas chamas”, disse um dos militares que atenderam à ocorrência.   Ainda segundo o militar, às 21h, a corporação recebeu outra chamada. “Dessa vez, fomos informados de que um ônibus de turismo e outro veículo de passeio tinham sido incendiados na rua das Flores. Outro Corcel II foi destruído, e o ônibus, danificado”.    Mais cedo, ainda em protesto contra a morte do rapaz, moradores haviam ateado fogo a pneus na avenida Duque de Caxias, bloqueando o trânsito. O fato ocorreu no momento em que o corpo de Ueberson era velado, na região. “Queremos justiça. Ueberson foi morto injustamente, com dois tiros no peito, sem chances de reagir. Ele e o Deneir (motorista do Palio vermelho parado na blitz) não tentaram fugir. Os dois pararam antes da barreira porque Deneir era inabilitado e ficou com medo”, defendeu um amigo de infância da vítima.   Já uma familiar de Ueberson, que também pediu para não ser identificada, contestou a versão da PM, de que o rapaz tentou sacar uma arma que estava na sua cintura, uma pistola calibre 45, durante a abordagem. “Essa arma não foi apresentada a nenhum familiar”, ressaltou. Apesar da tensão gerada pelos ataques, comerciantes abriram suas lojas normalmente na última quarta (2).   Outra versão À reportagem de O Tempo Betim, parte dos lojistas disse que a iniciativa de baixar as portas foi tomada por precaução e em consideração à vítima e seus familiares. “Ueberson foi nascido e criado aqui, no Teresópolis. Era um bom rapaz”, disse um comerciante, que preferiu não se identificar.    Outro lojista contou a mesma versão. “Não abrimos hoje (terça) em respeito à família de Ueberson. Aqui, respeitamos os nossos amigos e vizinhos. Todos nós lamentamos muito essa tragédia”, justificou.   De acordo com a PM, Ueberson e Deneir Restoff, 33, tinham passagem por roubo e tráfico de drogas. Deneir estava em condicional e sendo monitorado por uma tornozeleira. Ele foi levado para o Centro de Remanejamento Prisional (Ceresp) de Betim. Já o veículo foi apreendido.   Reforço Por causa do toque de recolher, o policiamento foi reforçado no Teresópolis. “O assessor de imprensa do 33° batalhão, tenente Danilo Antonioni, informou que os policiais vão permanecer no local até que seja restabelecida a rotina na região. “Não há motivos para terror”, ressaltou. Um investigador do 1º Distrito Policial do Teresópolis também afirmou, na quarta-feira (2) à tarde, que o clima era de tranquilidade no bairro. “Está tudo dentro da normalidade. Ninguém foi impedido de abrir sua loja ou de desempenhar qualquer atividade na região”, garantiu.    O tenente Carlos Coelho, comandante da 2ª Companhia de Missões Especiais, informou que foi aberto inquérito para apurar o caso. Ele informou ainda que a pistola calibre 45 apreendida com Ueberson foi entregue à Polícia Civil. “Era uma arma restrita, de numeração raspada”, concluiu.

Vítima estava armada, diz PM

 

Ueberson Gomes de Moura foi morto na segunda-feira (30) por policiais militares depois de tentar fugir de uma blitz na avenida Juiz Marco Túlio Isaac, na altura do bairro Imbiruçu. Segundo o sargento Marcelino Silva, quando avistaram a blitz, a vítima e outro suspeito, Deneir Restoff, pararam o veículo, um Palio vermelho, para tentar fugir. “Eles estacionaram o automóvel em um local conhecido por ser um ponto de fuga. Mas, como já sabemos disso, dois militares estavam de sobreaviso nesse local”, explicou.   Os policiais teriam ordenado que eles saíssem do carro e que colocassem as mão na cabeça, porém, conforme a PM, Ueberson tentou sacar uma arma que estava na sua cintura, uma pistola calibre 45, de uso restrito. “O policial, em legítima defesa, disparou duas vezes contra a vítima. Os tiros acertaram o tórax dela”, afirmou o sargento.   Ueberson foi socorrido pelos próprios policiais e encaminhado para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro Jardim Teresópolis, onde morreu.

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