Com titularidade ameaçada, Gago ainda tenta fazer sucesso na Copa

Argentino ainda não conseguiu se destacar no meio-campo da seleção de Messi e vê Biglia ganhar espaço

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Na Europa, Gago defendeu Real Madrid, Roma e Valencia
Divulgação / Página Oficial
Na Europa, Gago defendeu Real Madrid, Roma e Valencia

Fernando Gago sempre para e conversa com vários jornalistas na zona de imprensa após os jogos. Inteligente, apesar de reticente em vários momentos, é bem visto pela imprensa. Mas após a vitória contra a Suíça, que classificou a Argentina para as quartas de final da Copa do Mundo, ele passou batido. Parou apenas uma vez, falou pouco e foi embora.

"Mais do que atuações individuais, o importante é que o time venceu. Jogamos bem em alguns momentos, mal em outros. Mas vencemos", disse, de forma protocolar.

Foi uma declaração que serviu para tentar desviar o foco de que faz uma Copa do Mundo abaixo do esperado até agora. Tanto que a mídia argentina começa a especular que ele pode perder o lugar no time para Lucas Biglia, nas quartas de final, contra a Bélgica.

Antes de fazer a convocação para o Mundial, o técnico Alejandro Sabella deixou escapar que Mascherano e Gago, a dupla de volantes, eram "o coração da equipe". Contra a Suíça, principalmente, o atleta do Boca Juniors decepcionou.

"Estamos encontrando dificuldades nos primeiros tempos das partidas, mas depois melhoramos em campo", explica.

A Copa do Mundo de Fernando Gago tem sido marcada por erros de passes e falta de concentração. Ele se recuperou em cima da hora de lesão no joelho esquerdo sofrida em maio, pelo Boca Juniors. Não usou nenhuma vez a desculpa de falta de ritmo de jogo. Sempre disse estar bem fisicamente para atuar. "Se não estivesse bem, diria a Alejandro [Sabella]", assegurou.

Não deixa de ser irônico que não consiga brilhar no mais importante torneio do futebol, assim como seu ídolo máximo: Fernando Redondo. Gago sempre foi apontado como herdeiro de Redondo e alimentou esse desejo o quanto pôde.

"Quando alguém fala para mim sobre Fernando Redondo, fico de pé. Foi meu único ídolo desde pequeno. Quando passava uma partida dele na TV, não perdia. Imitava-o em campo. Quero copiá-lo todos os dias", já confessou.

Os dois atuam na mesma posição, de cabeça erguida, elegantes em campo e com estilo clássico. Começaram na mesma equipe, o Club Parque, em Buenos Aires. Gago disputa em seu segundo Mundial. Esteve também em 2010, na África do Sul. Redondo apenas foi chamado para o torneio de 1994. Apesar de ser um dos melhores da posição no planeta, foi barrado pelo técnico Daniel Passarella em 1998 por ter se recusado a abrir mão do cabelo comprido.

A carreira de Fernando Gago não foi um fracasso, mas não chega nem perto da fama internacional obtida pelo jogador que mais admira. Redondo marcou época no Real Madrid (ESP), mesmo clube que comprou Gago do Boca Juniors. Mas ele não fez sucesso por lá. Transferiu-se para o Valencia (ESP) e também fracassou. O jeito foi voltar para a Argentina, onde também não tem justificado o investimento feito pelo Vélez Sarsfield e depois, Boca Juniors.

"Ele é muito narcisista. Não tem amigos no clube. Não gera simpatia de ninguém porque não é sociável", disse o técnico do Valencia, Ernesto Valverde.

É uma acusação que acompanha a carreira de Gago. A de ser muito preocupado com si mesmo e não fazer muitas amizades. Na seleção argentina, está entre companheiros com os quais convive desde as categorias de base. Com quem tem atuado com a camisa da seleção por anos. Juntos, ganharam a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. São pessoas com quem tem intimidade.

Quando foi feita a divisão dos quartos na Cidade do Galo, por serem 23 jogadores, alguém ficaria sozinho em um quarto. Deu Fernando Gago.

Tentar honrar as comparações a Fernando Redondo mostram o quanto Gago é cuidadoso com a percepção que tem de si mesmo. Não à toa seu apelido, nas categorias de base do Boca, era "Pintita" porque o técnico vivia gritando em seus ouvidos: "deja de hacer pinta e corre!". No jargão do futebol argentino, "hacer pinta" é cuidar da imagem e parecer elegante.

Ele confessa ainda ter o costume de gravar todos os jogos em que participa e assistir sozinho, no quarto. Não deve gostar que anda vendo na Copa do Mundo.