Sonhos que viram rimas

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Queria poder ser como aquele personagem de desenho animado, sucesso nos anos 90, o Bobby, que usava sua imaginação para tentar compreender os fatos da vida dos adultos, às vezes tão duros de aceitar, tão difíceis de interpretar. A cabeça do protagonista de “O Fantástico Mundo de Bobby” ia longe quando ele perguntava qualquer coisa a seu pai e, ao receber a resposta, viajava nas histórias, como se elas fossem reais. Assim, daria pra querer tudo, daria pra viver muito menos carrancudo.

Queria poder olhar naquele olho mágico das portas para visualizar o meu futuro. Queria me olhar no espelho diariamente e não me sentir tão imaturo. Queria ter dinheiro pra comprar o mundo. Queria viver à toa, sem me taxarem de vagabundo. Queria me deparar com um brigadeiro e não desejar comê-lo de cinco em cinco minutos. Queria, desde a adolescência, ter tido a sorte de um amor sincero sem provar desses sentimentos fajutos. Queria poder sentir a brisa do mar todo dia. Queria nunca ter sentido inveja, raiva, melancolia. Queria que todo motorista entendesse o pedestre e parasse na faixa pra ele passar. Queria que fosse fácil limpar a sujeira do mundo assim como se joga roupa na máquina de lavar. Queria acordar de manhã com a mesma disposição que tenho à noite na balada. Queria ser como aquela cantora, que diz o que quer, e ainda manda um beijinho no ombro pra inimiga recalcada.

Ainda nesse mundo ideal, gostaria que o colo da mãe fosse pra sempre. Algo até o fim da vida, desde o ventre. Gostaria de abraçar cada um que me fizesse uma gentileza. Brindar, olhando nos olhos, com aqueles que me tratassem com delicadeza. Gostaria de ser um super-herói e viver mais de mil anos. Para desbravar continentes, ilhas, mares e oceanos. Gostaria de não precisar usar óculos. Ter uma visão perfeita, com olhos atentos que mais parecessem binóculos. Gostaria de não ter preguiça para o exercício físico. Mas levantar peso pela saúde, não pelo esforço narcísico. Gostaria sempre de ficar com a pureza da resposta das crianças. E dizer “é a vida!”, sem ficar focado nas finanças.

E sabe o que me deixaria ainda mais contente? Seria feliz se todas as viagens fossem como as de avião. Rápidas, intensas e que, quase nunca, te deixam na mão. Seria feliz se o mundo fosse compartilhado com mais amor. Sem frescuras, amarguras, mais prático e indolor. Seria feliz se trabalhasse menos e tivesse mais tempo pra mim. Ganhar dinheiro através de boas ações, sorrisos e carinhos, enfim.

A vida é feita de sonhos e rimas. Fantasias que se iniciam na nossa infância e que se concretizam com o passar dos anos, dos dias, das horas... Temos tempo para alcançar o nosso troféu, algo como degraus até atingirmos o céu. Vista-se de disposição e coloque a mente fértil no chapéu. É como o menininho Bobby, em seu velocípede veloz: um fantástico mundo te espera, sem deixar a fé e a esperança ao léu.

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