Jeitinho brasileiro dribla taxas nas compras online

Quando a mercadoria é tributada, Correios cobram mais R$ 12 na retirada

iG Minas Gerais | Thaís Pimentel |

Estratégia. Ana Carolina Gomes divide as compras nos sites para não correr risco de pagar imposto
JOAO GODINHO / O TEMPO
Estratégia. Ana Carolina Gomes divide as compras nos sites para não correr risco de pagar imposto

Para driblar o pagamento de impostos e o surgimento de novas taxas – como os R$ 12 que os Correios vêm cobrando desde junho para retirada de mercadorias que custem entre US$ 50 e US$ 500 –, aficionados por compras em sites estrangeiros preferem fazer uma transação de cada vez do que encher o carrinho e estourar o limite não tributável pela Receita Federal, que é de até US$ 50.

A estudante Ana Carolina Gomes, 20, se considera uma viciada em sites como eBay e Aliexpress. “Estou nesse ritmo há pelo menos seis meses. Mas todo dia dou uma olhada para conferir as ofertas”, conta ela, acostumada a comprar roupas e acessórios para celular. “Já comprei peças de até US$ 36. Teve vezes que já cheguei a gastar US$ 100, mas sempre dividi as operações. Como compro um item de cada vez, não corro risco de chegar aos US$ 50 e aí ter que pagar imposto”, disse.

A analista comercial Juliane Sousa, 33, também é uma das adeptas das compras em sites internacionais. “Fiquei muito tempo comprando direto. É muito mais barato. Agora estou dando um tempo. O que mata é a espera. Às vezes demora mais de 60 dias para uma compra chegar. Fico angustiada, mas vale muito a pena. Nunca cheguei a passar dos US$ 50, porque acabo comprando picadinho. Fecho uma compra, depois abro outra, e assim vai”, descreve ela, que gasta mais com roupas e bijuterias. “Já cheguei a reclamar de atraso. Aí o administrador do site chegou a dizer para mim que, se o produto não chegasse no prazo estipulado, ele pagaria o valor destinado à alfândega. Mas nunca aconteceu”, revela.

Salgado. Quem está de olho em produtos de custo mais elevado e não pode utilizar esses subterfúgios tem que encarar a alta carga tributária para receber as mercadorias no Brasil.

O cliente que gastar entre US$ 50 e US$ 500 ainda precisa desembolsar uma quantia correspondente ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF) que incide 6,38% sobre o valor no cartão de crédito ou débito, e a alíquota de importação de 60%, aplicada também sobre o valor do frete.

Além disso, para retirar o produto nos Correios, o consumidor deve apresentar Nota de Tributação Simplificada (NTS) e pagar uma taxa de R$ 12.

Isenção. Remessas no valor total de até US$ 50 não pagam impostos, de acordo com a Receita Federal, desde que sejam transportadas pelo serviço postal regular, ou sejam transações envolvendo medicamentos com apresentação de receita médica, e compras de livros, jornais e revistas.

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