Os Estados Unidos jovens e globais curtem futebol

Os Estados que têm o maior interesse no futebol são Washington, Maryland, Nova York e Nova Jersey, todos de maioria democrata.

iG Minas Gerais |

Curtição. Californianos torcem pela sua seleção durante a partida das oitavas de final entre Estados Unidos e Bélgica que aconteceu anteontem na Arena Fonte Nova, em Salvador. A Bélgica venceu por 2 a 1.
Jae C. Hong
Curtição. Californianos torcem pela sua seleção durante a partida das oitavas de final entre Estados Unidos e Bélgica que aconteceu anteontem na Arena Fonte Nova, em Salvador. A Bélgica venceu por 2 a 1.

WASHINGTON, EUA. “O futebol vai continuar a crescer nos EUA para desespero dos conservadores”, diz o historiador norte-americano Peter Beinart, professor de ciência política na Universidade da Cidade de Nova York.

“A mesma coligação que elegeu Obama duas vezes adora futebol: imigrantes, especialmente hispânicos, jovens com menos de 30 anos, mães que têm filhos que jogam futebol na escola e progressistas, que querem se sentir mais participantes do mundo”, diz o analista.

Em artigo para a revista norte-americana “The Atlantic”, Beinart, 43, respondeu à colunista ultraconservadora Ann Coulter, que disse que o sucesso do futebol entre os ianques “representa a decadência moral da América”.

Uma das ideias defendidas pelo professor é que os conservadores do país irão resistir cada vez mais ao esporte em função de uma polarização política entre uma direita nativista e uma esquerda cosmopolita.

Essa postura, porém, não diminui o apelo comercial que o futebol começa a ter nos EUA. A audiência dos canais que estão exibindo a Copa (ABC, ESPN e Univision) já superou a final de esportes tradicionais. Essa audiência, segundo Beinart, é formada por jovens imigrantes, hispânicos e progressistas.

Esse mesmo público elegeu Barack Obama e, por analogia, quer abraçar um esporte europeu pela mesma razão que eles querem um sistema de saúde universal aos moldes europeus: eles não veem um valor inerente em os EUA serem uma exceção ao modelo global. Segundo uma pesquisa da consultoria Experian, na última Copa os progressistas manifestaram o dobro de vontade de ver as partidas da Copa do que os conservadores.

Os Estados que têm o maior interesse no futebol são Washington, Maryland, Nova York e Nova Jersey, todos de maioria democrata. Os com o menor interesse são Alabama, Arkansas, Dakota de Norte e Mississippi, todos republicanos.

Nova visão. Muitos note-americanos, de acordo com o professor, querem uma relação diferente com o mundo. Historicamente, a política externa conservadora oscilou entre o isolacionismo e o imperialismo. Ou se mantinham afastados do mundo, ou mandavam. Esse é o ponto de Ann Coulter. Os EUA só jogam entre si, seja beisebol, futebol americano ou basquete. Quando joga com outros países nesses três, domina. Abraçar o futebol significa abraçar o papel de um país no meio de várias outros, sem privilégios especiais.

É uma resposta saudável, segundo a análise de Peter Beinart, de um país menos capaz de ignorar o mundo ou dominá-lo como no passado. Quando joga futebol, os EUA aprendem com algo que não inventaram, nem controlam. É um aprendizado que o país vai precisar mais e mais daqui para a frente. Conservadores

Para o historiador Peter Beinart, o futebol representa, para os conservadores, uma mudança de pensamento. As suas principais críticas ao esporte são:  Estrangeirismo. Para o professor, os conservadores veem no futebol algo elitista e estrangeiro. Eles o comparam ao sistema métrico decimal, não por ser uma forma ruim de medir, mas por ser “de fora”.  Coisa de mulher. Como o futebol também é jogado por mulheres, os conservadores costumam taxá-lo como um esporte “efeminado”.  Coletivo. Outra crítica é que o coletivismo do futebol ignora “a conquista individual”, um valor importante para os conservadores norte-americanos.  Parte de um todo. Mas a principal crítica dos conservadores, segundo Beinart, é que ao se encantar com o futebol, os Estados Unidos estariam virando “parte do resto do mundo”.

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