Uma seleção, duas gerações e muita comparação

Com a classificação às quartas de final neste Mundial, com 100% de aproveitamento, a Colômbia já alcançou sua melhor colocação na história dos Mundiais.

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda |

Hoje. Sem Falcao Garcia, James Rodríguez é o expoente desta seleção colombiana
Fernando Llano/ap photo - 19.6.2014
Hoje. Sem Falcao Garcia, James Rodríguez é o expoente desta seleção colombiana

O bom desempenho apresentado pela Colômbia nesta Copa do Mundo faz reviver a memória da histórica seleção do país da década de 90 que mostrou habilidade, mas decepcionou nos resultados. O time capitaneado pelo meia Carlos Valderrama apresentou o futebol colombiano ao mundo, na Copa da Itália, em 1990. Agora, 24 anos depois, a seleção dos Cafeteros volta a encantar, e as comparações entre as duas equipes são inevitáveis.

Com a classificação às quartas de final neste Mundial, com 100% de aproveitamento, a Colômbia já alcançou sua melhor colocação na história dos Mundiais. Antes, a campanha mais vitoriosa tinha sido em 1990, quando a equipe foi derrotada nas oitavas de final por Camarões, na prorrogação.

A força do meio campo, a qualidade na troca de passes e a rapidez pelas pontas são características em comum entre as duas seleções. Mas o que faz com que o time atual seja mais competitivo?

Uma das explicações pode estar na experiência internacional dos jogadores desta nova geração. Todos os 11 titulares atuam fora da Colômbia, sendo que dez deles jogam na Europa. No time de 1990, apenas Valderrama jogava fora do país. Para o jornalista esportivo da rádio Caracol, da Colômbia, Alejandro Gracian, o time atual, apesar de mais jovem, é mais decisivo. “Todos disputam partidas importantes na Europa e estão habituados com a forma de jogar lá, e isso os deixa mais seguros em campo”, afirma.

Para o jornalista, não há tanta diferença técnica entre as duas equipes. Ele acredita que o time de 1994, formado por Valderrama, Rincon e Asprilla, talvez tivesse até mais habilidade do que o atual. “A seleção de 1994 tinha valores individuais melhores. Porém, eram menos compromissados, principalmente na parte tática”, avalia.

Talvez seja na posição de goleiro que essa diferença de comprometimento fique mais clara. Em 1990, o lendário Higuita gostava de se arriscar com a bola nos pés, o que acabou provocando o gol da eliminação contra Camarões após perder a bola para Roger Milla. Hoje, o goleiro Ospina é um coadjuvante no time, mas demonstra segurança quando solicitado.

Se para o torcedor é impossível não comparar os dois times, para quem jogou naquela seleção dos anos 90, esse esforço é desnecessário. Em entrevista coletiva no Brasil, Valderrama disse que não há semelhanças entre as duas equipes. “Não nos parecemos em nada. São times diferentes. Fizemos o nosso papel, e este é outro grupo, que quer melhorar o que fizemos”, disse. Expectativa diferente para cada time

Na comparação entre as gerações, uma diferença marca a preparação entre as duas equipes: a expectativa depositada sobre elas. Em 1994, a Colômbia chegou à Copa dos Estados Unidos com status de favorita. O time deu show nas Eliminatórias e aplicou a maior goleada sofrida pela Argentina dentro de casa. Os colombianos derrotaram a seleção de Maradona, Caniggia e Batistuta por 5 a 0, em Buenos Aires. Porém, decepcionaram no Mundial e deixaram a competição ainda na primeira fase. Já a seleção atual, apesar de contar com a esperança de fazer uma boa campanha, nunca esteve na lista de favoritas, ainda mais com o corte por lesão do principal jogador colombiano da atualidade, o atacante Falcao Garcia.  O desempenho surpreendeu até os próprios torcedores. Juan Carlos Munoz veio ao Brasil torcer para a Colômbia e não esperava mais do que a classificação para a fase seguinte, mas agora acha que o time tem potencial para ir mais longe. “É o melhor time da Copa até agora, e é completamente possível derrotar o Brasil na sexta”, avaliou  Com ou sem favoritismo, a seleção do técnico argentino José Pekerman se prepara emocionalmente para as partidas. O treinador conta, na sua equipe, com o presidente da Associação de Psicologia Desportiva da Argentina, Marcelo Roffé.

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