Por dentro da cabeça de Felipão

iG Minas Gerais | Josias Pereira |

Professor, técnico, comandante, disciplinador, paizão. Várias foram as denominações atribuídas a Luiz Felipe Scolari durante os anos. Tido como um profissional firme em suas convicções, principalmente em relação às formações de suas equipes, o comandante vem demonstrando nos últimos dias uma certa instabilidade. Estaria o treinador do penta sentindo a pressão de comandar a seleção em casa? Ou estaria Felipão ultrapassado para os padrões do futebol moderno?

Uma reunião do treinador e seu fiel escudeiro Murtosa com seis jornalistas, na Granja Comary, escancarou as dúvidas do comandante quanto à capacidade – técnica e emocional – da atual seleção brasileira. Uma prova que, por algumas vezes, a irresoluta certeza de Felipão não passaria de uma mera caricatura. Para quem já vivenciou a pressão de comandar o escrete canarinho, a decisão do treinador em expor as dificuldades da equipe não é um sinal de fraqueza, porém não seria também o caminho mais acertado.

“Nunca reuniria a imprensa para falar sobre minhas dificuldades. Quando você é escolhido para assumir o comando de alguma coisa, você precisa ir até o fim com suas convicções. Se um dia eu me sentir inapto a continuar no cargo de treinador, é melhor pegar o boné e ir embora”, afirma Carlos Alberto Silva, ex-técnico da seleção brasileira.

“Não acho que a seleção esteja completamente errada. O Felipão é um dos melhores treinadores do futebol mundial, tem uma maneira própria de lidar com os jogadores. Quando estamos no comando da seleção, às vezes, pagamos por convocar alguns jogadores, e eles acabam não rendendo o esperado”, completa.

A inexperiência de grande parte da equipe também seria um dos fatores responsáveis pelo ‘pedido de ajuda’ do comandante. “É uma equipe em formação. Isso (juventude) pesa na hora de uma decisão. Porém, a falta de experiência de alguns jogadores pode ser suprida pela torcida, pelo fato de jogarmos em casa”, diz Vanderlei Luxemburgo, ex-treinador da seleção e atual comentarista da Fox Sports.

Paulo Autuori, ex-comandante do Atlético, preferiu fazer uma análise mais profunda do futebol nacional. “Estamos parados no tempo. Enquanto outras equipes evoluíram, continuamos presos em uma velha metodologia. Temos visto outras seleções sul-americanas, com treinadores também sul-americanos, que não possuem grandes talentos individuais, mas têm um coletivo muito forte”, concluiu.

 

Pressão e isolamento atormentam treinador 

Às vésperas das quartas de final, a formação tática de Felipão apresenta deficiências. Uma falta de sintonia entre o meio-campo e o ataque faz com que os avançados da seleção brasileira saiam da grande área para buscar a bola. Caindo pela ponta direita, Oscar está apagado e pouco produz. Diferentemente da Copa das Confederações, algumas peças vêm destoando, casos dos laterais Daniel Alves e Marcelo, além de Paulinho e Fred.

Felipão admitiu a possibilidade de mudanças contra a Colômbia. Mas seria esta a hora de mudar? “Eu acho que os problemas que a seleção está enfrentando não são bichos de sete cabeças. O esquema tático não está ruim e é perfeitamente adequado para o próximo jogo. A Colômbia é um time perigoso, que precisa ser respeitado, mas que pode ser batido”, diz Carlos Alberto Silva. “Existe uma pressão exagerada sobre a seleção brasileira”, completa o ex-treinador.

Outro fato que chama a atenção durante a preparação da seleção brasileira é o distanciamento do presidente da CBF, José Maria Marin. Ontem o dirigente deu o ar da graça e compareceu ao centro de treinamentos da seleção, em Teresópolis. No entanto, sua postura ainda é alvo de protestos e críticas.

“Está na hora de o presidente da CBF assumir a seleção, blindar os jogadores e o treinador das polêmicas levantadas”, pontua Silva. (JP)

 

 

 

 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave