Facebook será investigado por manipular emoções de usuários

No teste, rede controlou o feed de notícias de quase 700 mil internautas

iG Minas Gerais | Da redação |

Funciona. Segundo resultados do teste, aqueles usuários expostos ao “conteúdo positivo” mais vezes postaram menos informações negativas
Julia Freeman-Woolpert/stockxpert
Funciona. Segundo resultados do teste, aqueles usuários expostos ao “conteúdo positivo” mais vezes postaram menos informações negativas

Após virar alvo de protestos por divulgar resultados de uma pesquisa revelando como influenciar os sentimentos de usuários – sem o consentimento deles –, o Facebook agora será investigado por autoridades britânicas, que buscam saber se a rede social violou leis de proteção de dados. No teste, o Facebook “manipulou” o feed de notícias de quase 700 mil internautas para controlar as emoções às quais eram expostos.

Segundo informações da rede britânica BBC, o Escritório do Comissário de Informações (ICO, na sigla em inglês), órgão responsável por garantir a privacidade de informações sobre os cidadãos do país, informou que pretende questionar o Facebook sobre o estudo. A empresa afirmou que garantiu “proteção apropriada” para as informações das pessoas.

“Responderemos com prazer às dúvidas que os reguladores possam ter”, disse o diretor do Facebook na Europa, Richard Allen.

A sede europeia da empresa fica em Dublin, na Irlanda. De acordo com os jornais “Financial Times” e “The Register”, o ICO disse que entraria em contato com o órgão irlandês de proteção de dados sobre a questão.

Parceria. A pesquisa foi realizada em colaboração com as universidades norte-americanas de Cornell e da Califórnia, em São Francisco. O experimento durou uma semana em 2012, e as “cobaias” foram 689 mil usuários da rede.

O Facebook filtrou informações relacionadas a comentários, vídeos, imagens, links postados. No teste, uma parte dos usuários foi exposta a um tipo de “conteúdo emocional positivo” com mais intensidade. Outros tiveram mais contato com “conteúdo emocional negativo”.

De acordo com os resultados, ficou clara a força da maior rede social do mundo sobre os internautas que foram submetidos ao material manipulado. Aqueles expostos ao “conteúdo positivo” mais vezes postaram menos informações negativas. Já os outros usuários, com acesso ao “conteúdo negativo” em excesso, se mostram mais tristes, produzindo menos posts positivos.

Após a divulgação da pesquisa, advogados, ativistas da internet e políticos se juntaram em uma onda de protestos, gerando polêmica sobre a legalidade do estudo. Muitos consideraram a pesquisa como “aterrorizante”, “perturbadora” e “escandalosa”.

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