Minas e São Paulo a serviço da nação

iG Minas Gerais |

Demorou, mas chegamos ao começo de tudo: a convocação maior da nação brasileira soou forte, e o compromisso mais forte com a República ecoou pelos quadrantes da Federação, na forma de corajosa disposição para enfrentar os desafios que lhe anuviam as alvoradas dos tempos futuros. Nem poderiam as fímbrias históricas das glórias passadas retroceder diante das águas atrevidas que, das praias agitadas, insinuam penetrar-lhe o continente de prosperidade que lhe anima o porvir. Ao contrário. Se tudo pareceu difícil demais para que Minas e São Paulo, fiéis às responsabilidades com o Brasil, juntassem esforços e varressem os céus procelosos dos horizontes, tudo não passou de impressões de quem, na planície, mergulhava na desunião fatal. Não se nega que as duas decisivas unidades da Federação tenham tido e terão sempre interesses eventualmente conflitantes. Estados-membro, é natural que, no curso da história, sempre se lhes depare a divergência em termos regionais. Porém, é impossível imaginar que, em torno de discordâncias ocasionais, não se sentem à mesa para discuti-las, sem jamais perder o sentimento da união, sob o zelo da esfera jurídico-estatal maior, sempre em vigília para garantir a paz entre as unidades que lhe formam a verdadeira grandeza, impregnadas pelo dever mais alto da nacionalidade, que lhes cimenta a devoção à solidariedade. Nunca devemos ignorar que o nosso país amalgamou o seu espírito e a sua índole a partir do conceito de nação. Esta, para os brasileiros – bem à Ernest Renan, na sua formosa conferência pronunciada em 1882 em Sorbonne –, move a nossa evolução política e constitui ponto de peregrinação obrigatória de todos quantos analisam e concluem que expressamos, na nossa convivência diária, “um plebiscito de todos os dias, um princípio espiritual que alimenta a alma do nosso território”. Assim, toda vez que das profundezas dessa alma soam sinais de perigo para os laços da nossa solidez como povo, os ecos da nossa dependência moral recíproca se alevantam contra os que tentam quebrar os nossos elos históricos. Confio em que os que pregam a segregação (de um lado, os bons, os idealistas, os que suportaram os sofrimentos de outras eras que nunca mais voltarão, os que foram martirizados quando pegaram em armas para derrubar a opressão e hoje nada mais são do que sombras fantasmagóricas do que foram) não lograrão êxito nas empreitadas sinistras que têm em mente. O Brasil cresceu, amadureceu e definitivamente escolheu o seu destino. Dele não se afastará. Se pudesse dar uma palavra ao senador Aécio Neves, lembrar-lhe-ia pequeno trecho do breviário de política de Milton Campos, constante do seu discurso de posse no governo mineiro: “A democracia, no seu traço mais sensível, que é a liberdade, constitui, em Minas, uma predestinação histórica. Curvemo-nos a esse imperativo que nos vem do nosso passado e aprimoremos os nossos métodos democráticos, nos seus aspectos principais de liberdade política, da justiça social e da eficiência administrativa”.

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