A versatilidade de Strauss

Filarmônica de Minas Gerais homenageia os 150 anos do compositor com a série de três concertos que começa hoje

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Arnaldo Cohen interpreta hoje o a peça “Burleske”, de Strauss
Bella Cardim/Divulgação
Arnaldo Cohen interpreta hoje o a peça “Burleske”, de Strauss

A obra de Richard Strauss (1864-1949), para Fabio Mechetti, regente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, que inaugura hoje a série de concertos concebida para homenagear os 150 anos de nascimento do compositor alemão, no Grande Teatro do Palácio das Artes, conecta os ouvidos de hoje à sonoridade em voga no fim do século XIX, marcada por um romantismo tardio.

É em torno dessa tônica que a apresentação desta noite, ao lado das outras nos dias 15 e 24, deve gravitar. Dentre os solistas, quem inaugura essa programação é o pianista Arnaldo Cohen, que interpreta a peça “Burleske em Ré Menor, op. 11”. “Assim como Wagner, Strauss foi um compositor que não aderiu às novas tendências estilísticas do começo do século XX, e não teve vergonha de ser um artista mais alinhado com o romantismo”, explica Fabio Mechetti.

O maestro, no entanto, ressalva que ele percorreu diferentes caminhos na música erudita. Levar ao público um pouco desse percurso é o foco, assim, dos próximos encontros. “O repertório dos concertos busca retratar a versatilidade de Strauss em diferentes períodos. Na apresentação de hoje, por exemplo, há criações que ele produziu quando tinha entre 18 e 21 anos. Já nos próximos concertos, há uma atenção para a variedade de estilos que ele trabalhou, escrevendo desde peças para orquestra a poemas sinfônicos, música de câmara, óperas e canções”, sublinha Mechetti.

Em relação à escolha dos solistas, ele ressalta que levou em conta a familiaridade deles com as criações.

“Strauss não compôs muito para piano, então são poucos os pianistas que o estudam. Arnaldo Cohen tem a peça ‘Burleske’, em seu repertório, e por isso nós o chamamos. A soprano brasileira Adriane Queiroz, que se apresenta no dia 15, tem uma experiência com a Ópera de Berlim que traz para cá ao interpretar as ‘Quatro Últimas Canções’ e a cena final da ópera ‘Capriccio’. Por fim, o trompetista Szabolcs Zempléniale é um nome que vem despontado e será a primeira vez que trabalhamos juntos. Ele aqui se dedica a um concerto para trompa que mostraremos no dia 24”, detalha o maestro.

Embora conhecida por ele, Cohen diz que a peça “Burleske”, que mostra hoje, é sempre um desafio.

“É uma das obras que realmente você tem que trabalhar muito porque abrange vários riscos. Em alguns momentos soa bastante ‘Lisztiana’. É interessante notar que, apesar de Strauss se basear em um romantismo, talvez considerado batido, ele consegue somar elementos novos, criando uma linguagem que é dele”, afirma Arnaldo Cohen.

Agenda

O quê. Concerto da OFMG com o pianista Arnaldo Cohen

Quando. Hoje, às 20h30

Onde. Grande Teatro do Palácio das Artes. (av. Afono Pena, 1537, centro)

Quanto. Ingressos de R$ 36 (inteira) a R$ 70 (inteira)

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