Seleção chega a Fortaleza sob aparato de guerra

Impressão que se tinha era de que número de militares da polícia e exército sobressaíam ao de torcedores

iG Minas Gerais | Daniel Ottoni |

Torcedores não tiveram contato com os craques brasileiros na chegada da delegação a Fortaleza
Torcedores não tiveram contato com os craques brasileiros na chegada da delegação a Fortaleza

Certamente a movimentação vista ontem, por quem estava na comunidade Moura Brasil, em Fortaleza, denotava que algo de incomum acontecia. O conjunto de casas e gente simples fica do outro lado da avenida onde está hospedada a seleção brasileira, que chegou a Fortaleza na noite desta quarta-feira.

Na sexta-feira, o time de Felipão entra em campo, no Castelão, contra a Colômbia, às 17h, valendo vaga na semifinal da Copa do Mundo.

Depois de chegar na base aérea da cidade por volta das 19h30, a delegação logo rumou para o luxuoso hotel, que contrasta com as residências e moradores que ficam a poucos metros. A medida que a tarde caía, o número de torcedores crescia, todos sem conseguir esconder a ansiedade. A estimativa é que 1.000 pessoas estavam ali quando o ônibus chegou, por volta das 20h10. O que mais impressionou foi o número de militares, membros do exército, além de veículos das corporações. O desnecessário aparato era como se uma guerra estivesse se aproximando.  Inevitavelmente, o trânsito ficou complicado na via em frente ao hotel.

Apesar da realidade difícil, quem habita no Moura Brasil também teve a chance de ver o ônibus chegando e tentar mostrar o seu apoio, que ia um pouco além das casas pintadas e de bandeiras espalhadas para onde a vista alcançasse. Cerca de sete horas antes de Neymar e cia. chegarem ao hotel, o local já contava com torcedores na porta. A animação de que chegou com extrema antecedência aparecia na mesma proporção das buzinas e gritos que vinham de vários carros que passavam na movimentada avenida.

Para distrair e fazer o tempo passar, a bela vista do mar, logo atrás do hotel, amenizava a árdua espera. Tudo acompanhado de muitos gritos, como o hino do Brasil e o chamado por jogadores como Neymar, Oscar, David Luiz e Júlio César.

Sem contato

Com forte esquema de segurança, os jogadores saíram do ônibus por uma entrada lateral do hotel e nenhum tipo de contato aconteceu com os torcedores, que não esconderam a decepção de não ver, sequer, um aceno dos ídolos.  “Já sabia que não daria para ver. Mesmo assim, essa foi a vez que fiquei mais perto do David Luiz, mesmo sem ele saber. Queríamos agradecê-lo por ser um cara carinhoso, carismático, bonito e brincalhão”, anunciavam as gêmeas Alice e Aline de Oliveira, de 14 anos, ao lado da amiga Mariane Silva, de 13.

No cartaz, o apelido de ‘pipoquinha’, por causa do cabelo, tentava mostrar uma intimidade sonhada por cada uma delas. “Gostamos muito da atenção que ele deu para um menino que invadiu o treino da seleção, em Teresópolis. Deu pra perceber que ele tem um coração muito bom. Queria muito ser aquele garoto”, brinca Mariane, que admite ser mais uma das Neymarzetes, ao contrário das irmãs. “Gostamos dele, mas só dentro de campo”, garantem. Selfie com Neymar

Quem fazia questão de ver Neymar e mais ninguém era o estudante Felipe Joinville, de 15 anos. Faltando mais de duas horas para a chegada do ônibus, ele já havia chegado e se  garantiu na primeira fila da grade de proteção. “No jogo contra o México, há poucos dias, eu vim aqui, mas não deu pra ver nem o ônibus. Se eu pelo menos ver o veículo, já vai ser algo além do que aconteceu”, conforma-se.

Ano passado, Felipe também tentou acompanhar a seleção de perto, durante a Copa das Confederações. “Um aceno do Neymar me deixou muito feliz. Se isso acontecer de novo, seria muito gratificante. O ápice seria uma foto junto dele, mas acho difícil”, espera.

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