Ato de moradores de ocupações já dura mais de 10 horas

Durante a tarde, houve uma confusão entre militares e manifestantes no prédio da Urbel, que tiveram a comida cortada; algumas pessoas passaram mal e deixaram a ocupação

iG Minas Gerais | Bruna Carmona |

Membros de ocupações entraram no prédio da Urbel
Divulgação / Polícia Militar
Membros de ocupações entraram no prédio da Urbel

Já dura mais de 10 horas a ocupação dos prédios da Urbel e da Advocacia Geral do Estado e a avenida Afonso Pena, em frente à sede da Prefeitura de Belo Horizonte. Moradores de ocupações urbanas da capital tomaram os três pontos na manhã desta quarta-feira (2) como forma de protesto contra os despejos forçados durante a Copa e para pedir a garantia de serviços urbanos essenciais, como saneamento básico, água e eletricidade. Eles estão cercados por militares da tropa de choque.

No meio da tarde, houve confusão próximo ao prédio da Urbel, porque algumas pessoas tentaram entregar comida aos manifestantes que estavam no local. De acordo com uma integrante do movimento Brigadas Populares, que preferiu não ter o nome divulgado, a entrada de comida no prédio foi proibida e o grupo que participa do protesto está sem comer desde a hora do almoço. Ainda segundo a fonte, a polícia usou cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para impedir que manifestantes entregassem comida para os ocupantes que estão do lado de dentro do prédio. O professor Thiago Miranda, de 33 anos, conta que foi ferido no braço com um golpe de cassetete enquanto tentava furar o bloqueio.

No local, há pelos menos 20 crianças e quatro mulheres grávidas. Com fome, idosos e mulheres com crianças começaram a deixar o prédio aos poucos, no início da noite. Logo que saem, eles recebem quentinhas que ficaram retidas no saguão principal da Urbel.

Representantes da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) já sinalizaram que o órgão está disposto a negociar com os manifestantes, no entanto, a prefeitura de Belo Horizonte ainda não se manifestou sobre o assunto e, por isso, não há previsão para que os ocupantes deixem o prédio.

Afonso Pena 

Parte dos manifestantes que estão na avenida Afonso Pena decidiram permanecer no local até que sejam recebidos por representantes da prefeitura. Eles devem começar uma série de intervenções artísticas no local, na noite desta quarta. No momento, os manifestantes ocupam uma faixa da via, sentido Mangabeiras.

Resposta

Em nota, a o Governo do Estado informou que a Polícia está acompanhado a manifestação realizada no prédio da Advocacia Geral de Minas Gerais para manter a ordem e garantir a integridade física dos envolvidos.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que já ajuizou ações de reintegração de posse de áreas públicas e de áreas ambientais de sua propriedade e que o Poder Judiciário concedeu liminar determinando a imediata retirada dos ocupantes. Ainda segundo nota divulgada pela administração municipal, o apoio da Polícia Militar é aguardado para que as decisões judiciais sejam cumpridas.

"A Prefeitura reitera que ocupações irregulares de áreas urbanas sem o devido planejamento geram o aumento da demanda por serviços públicos de maneira desorganizada e, do ponto de vista urbano, a ausência de saneamento e infraestrutura pode gerar novas áreas de risco. A ocupação de áreas de preservação ambiental compromete, ainda, as nascentes, os cursos d’água, os fundos de vale e as áreas verdes", diz o comunicado.

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