Bolsa fecha em queda com pressão do setor financeiro

O Ibovespa perdeu 0,27%, para 53.028 pontos; índice foi pressionado principalmente por papéis do setor financeiro, como Itaú Unibanco (-1,62%)

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Depois de dois dias no zero a zero, o principal índice da Bolsa brasileira fechou esta quarta-feira (2) em queda, com investidores digerindo dados negativos da indústria brasileira enquanto aguardam por nova pesquisa eleitoral e o indicador oficial do mercado de trabalho americano.

O Ibovespa perdeu 0,27%, para 53.028 pontos. O índice foi pressionado principalmente por papéis do setor financeiro, como Itaú Unibanco (-1,62%) e os preferenciais --sem direito a voto-- do Bradesco (-0,31%).

"O resultado da indústria põe o mercado em alerta, apesar de o fraco desempenho ter ficado em linha com as projeções", diz Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho. "É importante ressaltar que em junho a indústria teve uma série de paralisações por causa da Copa do Mundo, o que deve pressionar o segmento novamente", acrescenta.

Após a queda de 0,5% na produção em abril (dado revisado), a produção do setor industrial no Brasil manteve a tendência e recuou 0,6% em maio, na comparação livre de efeitos típicos de cada período. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira. O resultado ficou quase em linha com a previsão do mercado, que previa recuo de 0,5%.

PESQUISA

Segundo analistas, o mercado operou na expectativa pela divulgação de novo levantamento Datafolha sobre a eleição eleitoral de outubro, previsto para esta semana, segundo o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"Há um clima de incerteza sobre essa pesquisa. A Dilma Rousseff (PT) perdeu vários pontos nos levantamentos anteriores, mas a Copa do Mundo tem sido um sucesso, e a série esperada de protestos contra os gastos excessivos do governo para o Mundial não aconteceu", diz Hegedus. Isso pode se refletir nas intenções de voto, segundo o economista. "A presidente tem a seu favor mais tempo de propaganda política na televisão, a máquina pública e programas sociais, o que podem ofuscar parte do descontentamento econômico dos eleitores", completa.

As ações de estatais têm apresentado ganhos frequentes com a perda de espaço da presidente Dilma na corrida pelo Planalto --desde que começaram a ser divulgadas pesquisas relevantes de intenção de voto, em março-- e diante da possibilidade de um novo governo. A avaliação de analistas é que o mercado está descontente com o uso político dessas companhias pelo governo atual.

Hoje, os papéis preferenciais da Petrobras (sem direito a voto) cederam 0,41% (a R$ 17,12 cada), enquanto o Banco do Brasil teve desvalorização de 1,68% (a R$ 24,52). Já as ações preferenciais da Eletrobras mostraram ganho de 1,18%, devolvendo parte da perda de mais de 3% registrada na terça.

Quem evitou uma queda maior do Ibovespa foi a Vale, cujos papéis preferenciais tiveram alta de 2,03% (a R$ 27,20 cada), reflexo do aumento nos preços do minério de ferro negociado no mercado chinês.

As produtoras de celulose Fibria e Suzano estiveram entre as maiores altas do Ibovespa no dia, beneficiadas pela valorização do dólar em relação ao real. Essas empresas são grandes exportadoras de matérias-primas. As siderúrgicas também fecharam a quarta-feira no azul.

EUA

Na cena internacional, as contratações bem acima do esperado pelo setor privado dos Estados Unidos em junho elevaram as expectativas dos investidores pelo relatório de emprego oficial do país, que será divulgado na quinta-feira.

O receio é que um fortalecimento do mercado de trabalho naquele país colabore para a antecipação do aumento dos juros americanos, o que causaria a fuga de investimentos estrangeiros dos mercados emergentes para os EUA.

Além de pressionar a Bolsa brasileira, a cautela com a possível fuga de estrangeiros dos emergentes também pressionou o câmbio. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou a quarta-feira em alta de 0,67% sobre o real, cotado em R$ 2,218 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançou 0,86%, para R$ 2,224.

Segundo operadores, juros mais altos nos EUA deixariam os títulos do Tesouro americano --remunerados por essa taxa e considerados de baixo risco-- mais atraentes aos investidores. E, com a menor oferta da moeda americana nos emergentes, a cotação do dólar sofreria pressão para cima.

LEILÕES

O Banco Central deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, através do leilão de 4 mil contratos de swap (operação que equivale a uma venda futura de dólares), pelo valor total de US$ 198,9 milhões.

A autoridade monetária também deu início às rolagens dos swaps que vencem em 1º de agosto, vendendo em leilão a oferta total de 7 mil contratos. Com isso, rolou pouco menos de 4% dos papéis que vencem no primeiro dia do mês que vem, correspondentes a US$ 9,457 bilhões. Se mantiver esse ritmo, a autoridade monetária rolará cerca de 80% do lote total, um pouco a menos do que fez no mês passado, quando estendeu os prazos de cerca de 85% dos contratos que venceram nesta semana.

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