Governo manobra e impede votação de requerimentos na CPMI da Petrobras

Pela segunda semana consecutiva, deputados e senadores aliados da presidente Dilma Rousseff não compareceram à reunião da CPI

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Em nova ação conduzida pelo Palácio do Planalto, a CPI mista da Petrobras não conseguiu votar nesta quarta-feira (2) os mais de 390 requerimentos que esperam pela análise da comissão de inquérito. Pela segunda semana consecutiva, deputados e senadores aliados da presidente Dilma Rousseff não compareceram à reunião da CPI que analisaria diversos pedidos de convocações, quebras de sigilo e depoimentos.

O próprio relator da comissão, deputado Marco Maia (PT-RS), chegou à sala da CPI minutos depois do encerramento da sessão. Outros petistas que participaram nesta manhã da reunião da CPI da Petrobras do Senado --que também integram a comissão mista de inquérito-- não apareceram para garantir a falta de quorum.

No total, 11 congressistas registraram presença na comissão, mas pelo menos 17 deveriam estar presentes para que a CPI pudesse votar os requerimentos. A comissão exclusiva do Senado sofre o boicote da oposição e tem apenas membros aliados do governo.

O Planalto não quer votar requerimentos polêmicos, com o os que autorizam quebras de sigilos de autoridades envolvidas em suspeitas de irregularidades na estatal, como o doleiro Alberto Yousseff e Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras.

Também está na pauta da comissão pedido para que os seus membros tenham acesso a notas taquigráficas do Conselho de Administração da Petrobras no período em que era presidido pela presidente Dilma Rousseff, entre outros.

"É um momento complicado por causa da Copa do Mundo e das eleições. Mas a CPI pode andar sem a votação de novos requerimentos. É importante darmos uma parada para ler os documentos que já chegaram. A comissão pode andar sem a votação de novos requerimentos", defendeu Maia.

Presidente da CPI, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) disse que haverá quórum na semana que vem para a análise dos requerimentos porque o Congresso vai realizar uma semana de "esforço concentrado" para analisar uma série de projetos --embora o governo esteja disposto a manter a operação de esvaziamento da comissão e as votações estejam marcadas apenas para o dia 15 de julho.

A oposição protestou contra o novo adiamento da votação dos requerimentos e a manobra do Planalto. "Os governistas estavam no corredor e não vieram participar da CPI porque não quiseram", disse o deputado Rubens Bueno (PPS-PR).

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