Blatter diz que pessimismo não se confirmou e que Copa é um sucesso

Presidente da Fifa afirmou: "Nada está errado. Tudo está correndo bem". Ele também comemorou qualidade das partidas da competição

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Dirigente também destacou equilíbrio no duelo entre as seleções, afirmando que não há mais 'zebras' no torneio
Reprodução Facebook
Dirigente também destacou equilíbrio no duelo entre as seleções, afirmando que não há mais 'zebras' no torneio

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou na manhã desta quarta-feira (2) que a Copa no Brasil é um "sucesso" e que os receios de que haveria problemas durante o Mundial não se confirmaram. Para Blatter, "nada está errado. Tudo está correndo bem". "Eu só não diria perfeito porque a perfeição não existe", disse.

Blatter participou ao lado do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, da abertura do III Seminário de Gestão Esportiva, organizado pela FGV, no auditório da Maison de France, no centro do Rio.

O dirigente agradeceu ao povo brasileiro que, segundo ele, aceitou a Copa, mesmo com o clima de insatisfação social antes de a competição acontecer. Ele aproveitou para lembrar que não houve protestos muito grandes contra a Copa, a exemplo do que ocorreu na Copa das Confederações.

"Essa é minha vigésima Copa e posso dizer que é um grande sucesso. Vamos cruzar os dedos para que os jogos continuem no mesmo padrão. Onde está a insatisfação social? Onde estão os grandes protestos? Eu preciso cumprimentar o povo brasileiro que aceitou a Copa".

Enquanto Blatter discursava, um grupo de pouco mais de dez manifestantes fazia um protesto contra a Fifa. Fantasiados e com faixas contrárias à Fifa, os manifestantes dançavam quadrilha e gritavam "fora a quadrilha da Fifa".

Um contingente grande de policiais, com pelo menos quatro viaturas do Batalhão de Choque e cerca de 30 policiais com roupas reforçadas, estava posicionado na entrada do prédio onde ocorria o seminário. Tanto Aldo quanto Blatter deixaram o seminário por uma saída lateral do prédio. Não houve tumultos.

Sem apresentar números, Blatter fez um balanço parcial do Mundial e foi só elogios à Copa no Brasil. Os estádios também foram elogiados.

"Os jogos estão ocorrendo em estádios magníficos. O que foi feito nas cidades-sede é algo excepcional."

Blatter elogiou ainda a maneira como a população brasileira lida com o futebol que, para ele, se assemelha a uma religião. Em sua avaliação, essa relação de amor com o esporte tem contribuído para o sucesso da Copa.

"O futebol pode ser mais que uma religião [no Brasil] e isso contribui muito para o Mundial. A Fifa está feliz de participar disso", afirmou.

Sobre as zebras e desclassificações de seleções tradicionais, Blatter disse que não há mais "nações dominantes no futebol". Em sua avaliação, o nível do futebol apresentado aumentou, o que não impede que erros sejam cometidos pelos jogadores e pela arbitragem.

"Houve surpresa no campo de jogo. Não há mais nações dominantes. Isso está acabado. Todas as seleções estão no mesmo nível. Não me diga que o nível não cresceu. O futebol é ótimo, mas não é perfeito porque é jogado por seres humanos que cometem erros", disse.

Blatter não fez críticas ou comentários sobre problemas, como invasão de estádios e problemas com cambistas e roubos de ingressos.

O dirigente rebateu apenas uma polêmica que está sendo levantada na Europa sobre o sistema antidoping da Copa. Atualmente, diante de o Brasil não ter um laboratório credenciado para o serviço, a Fifa está enviando amostras de urina e sangue de jogadores de avião até um laboratório na Suíça.

Segundo Blatter, até o momento nenhum teste deu positivo para doping durante esta Copa. De acordo com o dirigente, autoridades europeias estão questionando o fato de os jogadores estarem disputando partidas no calor e na umidade brasileira sem terem problemas e mesmo assim sem serem pegos com substâncias não permitidas. O cartola disse esperar que um laboratório do tipo fique pronto para a Olimpíada de 2016.

Blatter deixou o local sem falar com os jornalistas, mas antes, durante seu discurso, comemorou o fato de novas ligas de futebol profissional terem sido criadas na China e na Índia e destacou a importância da melhoria na administração de campeonatos locais.

"Eu uso muito uma expressão em francês que diz: 'traga a governança do futebol ao nível acadêmico'", afirmou, ignorando o fato de a entidade ter o mesmo presidente desde 1998.

Leia tudo sobre: Joseph Blattercopa do mundosatisfeitosucessoBrasilpessimismoFifa