Após escândalo, Fifa marca reunião com empresa de ingressos

Na manhã da última terça-feira, 11 pessoas foram presas por comercialização ilegal dos bilhetes no São Paulo e Rio de Janeiro

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Grupo chegava a faturar R$ 1 milhão por jogo da Copa do Mundo com a venda de ingressos
POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO/DIVULGAÇÃO
Grupo chegava a faturar R$ 1 milhão por jogo da Copa do Mundo com a venda de ingressos

A Fifa voltou a afirmar, nesta quarta-feira (2), que não tem condições de comentar a prisão de 11 suspeitos em um esquema de cambismo com ingressos cedidos pela entidade a seleções participantes da Copa do Mundo.

Segundo a porta-voz da instituição, Delia Fischer, haverá uma reunião nesta tarde com a Match, empresa responsável pela comercialização das entradas da competição, para discutir o caso.

"Estamos muito feliz que a polícia do Brasil está tomando todas as ações para combater a venda ilegal de ingressos. Mas não estamos em condições de fazer comentários", disse.

O esquema, que faturava até R$ 1 milhão por jogo do Mundial, foi desmontado na terça, com prisões no Rio e em São Paulo.

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio suspeitam da participação de integrantes da Fifa, da CBF e das federações de futebol da Argentina e da Espanha.

A quadrilha, liderada pelo argelino Mohamadou Lamine Fofana, 57, vinha sendo investigada havia três meses.

Houve interceptação de telefonemas do chefe da quadrilha para a Granja Comary, em Teresópolis (RJ), local da concentração da seleção brasileira.

"Lamine fez vários telefonemas para a Granja Comary na busca por ingressos. Suspeitamos que alguém repassasse a ele os bilhetes, após a desistência dos jogadores. Ainda estamos apurando", declarou o promotor Marcos Kac.

Dez dos ingressos apreendidos pertenciam à comissão técnica do Brasil. A suspeita da polícia é que o intermediário do argelino tenha contato com a seleção e livre acesso à Granja Comary, mas não integre a comissão técnica.

"Temos elementos que [mostram que] seleções desviam ingressos para cambistas através de alguém que se beneficia com essa venda. Já temos o depoimento de um indiciado que trabalhava para essas três seleções", afirmou o delegado Fábio Barucke, responsável pelo caso.

DESDE 2002

O esquema de venda de ingressos, segundo a apuração, funcionava desde a Copa de 2002, realizada no Japão e na Coreia do Sul.

No Brasil, por meio de escutas telefônicas e filmagens, descobriu-se que a quadrilha usou empresas de fachada para obter ingressos para jogos da Copa de diferentes formas e revendê-los por 1.000 euros (R$ 3.000) cada um.

Suspeita-se que o grupo tenha adquirido bilhetes da cota da Fifa para meia-entrada e gratuidade. Os 11 presos foram indiciados sob suspeita de cambismo, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Podem pegar até 18 anos de prisão.

CONEXÃO ZURIQUE

A cada jogo, a Fifa distribui 700 ingressos para cada federação cuja seleção está em campo. Além disso, a CBF recebeu uma carga de 30 mil entradas extras por ser a federação da sede do Mundial.

De acordo com a investigação, o argelino Lamine passava horas em telefonemas para Zurique (Suíça), cidade-sede da Fifa, o que levantou a suspeita de envolvimento de membros da entidade.

O argelino usava um carro com credencial da Fifa. Entre os telefonemas, havia contatos com jogadores e ex-jogadores de diferentes países.

Durante toda a segunda (30), Lamine oferecia por R$ 3.000 o ingresso para Argentina x Suíça. A polícia estima que a quadrilha pretendia faturar R$ 200 milhões nesta Copa do Mundo. Os cambistas agiam via agências de turismo em Copacabana, uma delas de fachada.

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