Sarkozy vai à TV para se defender de acusações de corrupção

Os investigadores acreditam que o ex-presidente e o advogado dele recebiam de parte de um alto magistrado vazamentos sobre investigações em curso contra o político

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Francois Mori/AP
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O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, acusado por "corrupção ativa", tráfico de influência e violação do sigilo da investigação, falará nesta quarta-feira (2) sobre as acusações feitas contra ele.

A entrevista do ex-chefe do Estado entre 2007 e 2012 será divulgada de forma simultânea nos telejornais de maior audiência das emissoras TF1 e Europe 1, às 20h (15h em Brasília).

Até o momento, Sarkozy, primeiro ex-chefe do Estado francês obrigado a prestar testemunho como detido, não deu declarações, nem ao entrar nem ao sair da sede da polícia, nesta terça-feira (1º). Os investigadores acreditam que Sarkozy e o advogado dele recebiam de parte de um alto magistrado vazamentos sobre investigações em curso contra o político.

Tanto o advogado, Thierry Herzog, como esse juiz do Tribunal de Cassação, Gilbert Azibert, também foram acusados, em um caso que a direita vê como um complô para evitar o retorno de Sarkozy à cena política, com a vista posta nas eleições presidenciais de 2017.

Em uma entrevista publicada nesta quarta pelo jornal italiano "La Stampa", a sogra de Sarkozy, Marisa Bruni Tedeschi, afirmou que está chocada pelo que considera uma campanha destinada a "cortar as pernas" do ex-presidente para impedir seu retorno à direção da direita francesa.

"É estranho que esta investigação apareça agora. O momento escolhido manifesta um desejo de vingança. Nós, que somos os mais próximos dele, estamos chocados."

O atual presidente, François Hollande, disse nesta quarta, em reunião do conselho de ministros, que, desde o início de seu mandato, "as duas regras, os dois grandes princípios" sobre as que se apoia sua ação são "a independência da Justiça" e "a presunção de inocência".

Pouco antes, o primeiro-ministro, Manuel Valls, tinha destacado que, embora "os fatos sejam graves", "ninguém está acima da lei" mas a presunção de inocência é válida "para todo mundo: o ex-presidente da República, seu advogado ou o juiz acusado".

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