Indústria tem em maio a 3º queda seguida e já recua 1,6% no ano

O setor automobilístico foi um dos que sofreram com o fraco desempenho este ano, registrando queda de 3,6%; com isso, as montadoras começaram a rever as projeções para 2014

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Expansão reflete o aquecimento da economia após a estagnação da crise
Studio Cerri/Divulgação
Expansão reflete o aquecimento da economia após a estagnação da crise

A crise da indústria parece estar longe de seu fim. Após a queda de 0,5% na produção em abril (dado revisado), a produção do setor manteve a tendência e recuou 0,6% em maio, na comparação livre de efeitos típicos de cada período. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (2). O resultado ficou quase em linha com a previsão do mercado, que previa recuo de 0,5%. A indústria automobilística registrou queda de 3,9%. Ao todo, as vendas caíram 7,6% no primeiro semestre do ano em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, as montadoras começaram a rever as projeções para 2014.

Na comparação com maio de 2013, a indústria em geral registrou uma perda de 3,2%. Já no acumulado do ano, considerando os dados de janeiro a maio, a produção registra uma queda de 1,6%.

O índice acumulado em 12 meses acumula alta de apenas 0,2%. Em abril, o índice em 12 meses era de 0,8%.

Os dados de maio mostram que a indústria segue fraca no segundo trimestre deste ano. O setor completou três meses consecutivos de retração na comparação com o mês imediatamente anterior. Maio também teve a maior perda mensal desde dezembro, quando o recuo foi de 3,6%. Tal cenário configura um padrão diferente do de 2013, quando o movimento era de alternâncias entre taxas positivas e negativas.

Setores

De abril para maio, o fraco desempenho da indústria foi determinado especialmente pela queda de importantes setores como refino de petróleo e fabricação de álcool (recuo de 3,8%), veículos (queda de 3,9%), metalurgia (queda de 4%) e equipamentos de informática e eletrônicos (recuo de 5%).

No caso de veículos, esta é a terceira retração consecutiva. As montadoras já anunciaram férias coletivas em algumas unidades por conta da demanda reduzida -o que fez o governo prorrogar, mais uma vez, a alíquota reduzida de IPI para alguns modelos, além de móveis.

A perda da indústria foi disseminada entre as atividades: 15 dos 24 ramos pesquisados pelo IBGE mostraram retração.

Dentre as altas, destacam-se apenas alimentos (2,5%) e a indústria extrativa (1,4%) -esta, graças ao avanço da extração de petróleo em maio, mês no qual voltou a subir, ainda que de modo discreto.

Na comparação anual, a queda foi registrada em 18 de 26 atividades.

Ano em queda

Após a forte retração de abril, consultorias, que esperavam uma discreta alta da produção neste ano, refizeram suas contas e passaram a projetar uma perda entre 0,5% e 0,8% do setor em 2014.

Afetam o setor -o mais dinâmico da economia por seus "altos e baixos" e com importante encadeamento com os serviços e a agropecuária (como fornecedor ou "cliente")- juros maiores, crédito restrito, inflação elevada e especialmente empresários com menos disposição a investir neste ano eleitoral.

Além disso, os consumidores estão mais cautelosos diante de um mercado de trabalho já não tão vigoroso como antes e do menor crescimento da renda.

PIB

A piora da indústria também mexeu com as previsões para o PIB. Segundo o Boletim Focus do Banco Central -que colhe projeções entre cerca de cem instituições- divulgado na segunda-feira (30), a previsão do mercado para o crescimento da economia passou de 1,16%, na semana anterior, para 1,10%. É o quinto recuo seguido.

A paralisação para férias coletivas de alguns ramos, como o automobilístico, e os feriados decretados em algumas cidades por conta da Copa também prejudicam o setor.

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