Sensações e expectativas, mais que a realidade, é que vão eleger

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DUKE
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Na semana passada, o Banco Central divulgou relatório trimestral de inflação no qual aumenta a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta em 2014. No cenário de referência utilizado pelo BC, as chances de o IPCA ultrapassar o limite superior do intervalo de tolerância da meta subiu de 38% para 46%. De acordo com a última pesquisa CNI/Ibope (13 a 15 de junho), o descontentamento com a política de combate à inflação está alto: 71% desaprovam, contra 21% que aprovam. O percentual é o mesmo de março e o mais alto da gestão da presidente Dilma Rousseff. Em março de 2011, primeiro ano do seu mandato, a desaprovação era de 42%. O mesmo relatório de inflação do BC reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2% para 1,6%. A projeção ainda é mais otimista que a do mercado, de 1,16%. De acordo com a Fundação Getulio Vargas, o comércio caminha para ter, no segundo semestre, o pior resultado de vendas desde a crise de 2008. No segundo trimestre deste ano, a confiança do comércio recuou 6,4% em relação a igual período de 2013. O indicador está no menor nível de toda a série, iniciada em março de 2010, e a queda é generalizada entre os setores. A economia continua sendo uma das principais preocupações do Palácio do Planalto. Em especial, o impacto que o tema pode ter no projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Por essa razão, o governo resolveu anunciar a prorrogação e a ampliação da desoneração da folha de pagamento para as empresas. Também comunicou, no dia 18 de junho, uma série de medidas para o setor industrial. Na semana passada, publicou decreto ampliando a lista de substâncias usadas na fabricação de medicamentos que poderão ser beneficiados com o regime especial de utilização do crédito presumido de PIS/Pasep e Cofins. Além disso, anteontem, anunciou a prorrogação do desconto do IPI para automóveis. A política econômica trabalha contra a presidente. Tanto pelos soluços da inflação quanto pelo andar de lado do crescimento econômico. A combinação desses dois fatores é potencialmente perigosa eleitoralmente, pois afeta, sobretudo, a impressão geral sobre a economia. No curtíssimo prazo, o que importa é manter a “sensação térmica” agradável, para que a sensação de que o país caminha para uma recessão não seja generalizada. Eleitoralmente, as medidas recentemente adotadas podem não ter impacto imediato. No entanto, sinalizam que o governo está atento e pode prosseguir anunciando medidas destinadas a recuperar e/ou fortalecer o cacife eleitoral da presidente. Para Dilma, a “sensação térmica” é o fator determinante de sua reeleição. Assim, novas medidas devem ser consideradas. Em especial, medidas que possam atender públicos específicos e influentes junto ao eleitorado. Já passou da hora de recompor a base de apoio empresarial que gravitou em torno de Lula. Mais do que a realidade, o que importa no processo eleitoral são as sensações e as expectativas. A gerência de ambos é a chave do sucesso de Dilma e do fracasso da oposição. Assim como a criação de expectativas de mudança é a chave do sucesso da oposição. Ambos ainda não têm tido sucesso. Daí ainda ser elevado o número de indecisos. Sem o caos anunciado para a Copa, a economia remanesce – até agora –, sendo a única agenda que elege ou derrota o governo na eleição.

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