Lula ‘se enganou’, afirma FHC

Ao comemorar os 20 anos do Plano Real, tucano ataca os “descrentes” e fala da estabilização

iG Minas Gerais |

Memória. Fernando Henrique divulgou vídeo no Facebook contextualizando o lançamento do Plano Real
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
Memória. Fernando Henrique divulgou vídeo no Facebook contextualizando o lançamento do Plano Real

São Paulo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, em gravação de áudio, que o ex-presidente Lula “se enganou tanto” ao ter sido “descrente” com o Plano Real que “depois se esforçou, quando presidente, para manter a moeda estável”.

No registro, divulgado na página que mantém na rede social Facebook, Fernando Henrique recorda a adoção da nova moeda, que entrou em vigor em 1º de julho de 1994 e completa duas décadas nessa terça. “Houve os descrentes. O presidente Lula dizia que o real não era um sonho, era um pesadelo; se enganou”, afirmou.

O ex-presidente tucano criticou também as atuais “dificuldades com a estabilização”. “O povo todo está à espera de medidas que mantenham a moeda estável porque o povo aprendeu que a inflação, a carestia, é o seu pior inimigo”, disse. De acordo com FHC, o Plano Real foi “fruto de um enorme esforço” de uma equipe econômica que ele comandava como ministro da Fazenda na gestão do ex-presidente Itamar Franco.

“O país havia estado cansado da inflação, 20%, 30% ao mês. Não havia salário que fosse suficiente para fazer frente à carestia, ao aumento de preços”, disse. O ex-presidente declarou na gravação que, quando a economia foi estabilizada, a inflação começou a cair imediatamente e houve uma diminuição da pobreza de 40% para 30%. “As pessoas podiam confiar que não precisavam sair correndo para fazer compra mal recebessem o salário, porque confiavam que a moeda poderia ser estável”, prosseguiu. “Graças a isso”, acentuou, “houve a possibilidade de novas políticas sociais, de novas políticas econômicas”. “Tão importante quanto (as novas políticas), reganhamos a crença no futuro do Brasil.”

Segundo FHC, há muito o que celebrar pelas duas décadas de real. “É por isso que, com emoção, eu me refiro a esses dias e volto a falar ao povo de Poços de Caldas, cidade na qual, pela primeira vez, senti a emoção de termos conseguido criar uma moeda nova, o real”, acrescentou.

O aniversário de 20 anos do Plano Real será celebrado nesta quarta-feira, 2, a partir das 14 horas, no Palace Hotel, em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. A moeda foi lançada no município pelo então presidente Itamar Franco e por FHC.

Em artigo escrito para o jornal “Folha de S.Paulo” no primeiro aniversário do Plano Real, em 1995, o então presidente do PT, Lula, afirmou que a medida havia levado os preços para as “nuvens” e criticou o uso político do plano. No mesmo dia, o então ministro da Fazenda, Pedro Malan, considerou a implementação da nova moeda uma medida de êxito e clamou por reformas tributárias.

Ação

Antecipada. O Ministério Público apresentou três ações contra o PSDB, sendo duas delas contra o presidenciável tucano Aécio Neves, por propaganda eleitoral antecipada em inserções do mês de abril.

Criadores

Pais. Arregimentados porFHC, há 20 anos, os economistas Edmar Bacha, Pérsio Arida, André Lara Resende e Gustavo Franco faziam parte da equipe que formulou o Plano Real.

Separação. Nesta quarta, enquanto Bacha e Gustavo Franco permanecem com o PSDB, André Lara está envolvido com a campanha de Eduardo Campos e Marina Silva, ambos do PSB.

Oposição. Questionado pelo jornal “O Estado de S. Paulo” sobre essa divisão, Bacha, o decano do grupo afirmou: “Vejo com muita alegria essa divisão, desde que estejamos fortalecendo a oposição. Fato é que estaremos todos juntos de novo no segundo turno.” É a primeira eleição que o grupo de economistas participam de candidaturas opostas.

Com Serra, Alckmin perde PTB São Paulo. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição em São Paulo, sacrificou parte de seu tempo de TV na propaganda eleitoral para garantir o correligionário e ex-governador José Serra como candidato a senador em sua chapa. Apesar de ser aliado de Alckmin, o PTB decidiu lançar um nome próprio ao Senado. A decisão de Serra (PSDB) de disputar o Senado em São Paulo não demoveu o ex-prefeito Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, da decisão de entrar na disputa.

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