A metamorfose ambulante

Humberto Mauro faz mostra relâmpago com três clássicos dirigidos por David Cronenberg na década de 80

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

“A Mosca”. Jeff Goldblum começa a se transformar num inseto após um teletransporte mal sucedido
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“A Mosca”. Jeff Goldblum começa a se transformar num inseto após um teletransporte mal sucedido

No ano passado, durante um dos intervalos de poucos dias entre as grandes mostras da sala, a curadoria do cine Humberto Mauro decidiu fazer uma minimostra temática com três filmes de Pedro Almodóvar. A repercussão e as sessões lotadas de “Três Vezes Almodóvar” foram tamanhas que a fórmula é repetida de hoje a sexta-feira, desta vez com três longas de David Cronenberg.

“É uma pílula com o DNA do cinema do Cronenberg e uma declaração implícita de ‘quero mais’”, provoca o curador Rafael Ciccarini. Reconhecendo que o cineasta canadense é um dos principais nomes em atividade na sétima arte hoje, ele admite que o diretor merece uma das grandes retrospectivas típicas da sala. Para Ciccarini, porém, escolher três longas dos anos 1980 – “Scanners – Sua Mente Pode Destruir”, “Videodrome” e “A Mosca” – tão representativos do trabalho de Cronenberg e estabelecer um diálogo entre eles é uma boa forma de revela-lo como um grande autor.

“Ele conseguiu trazer essa mescla do terror com ficção científica e o grotesco para o alto cinema, para o panteão dos grandes diretores”, avalia o curador. Segundo ele, o canadense mostrou o potencial que essas produções têm, para além do fetichismo dos fãs do gênero. “Ele usa isso de forma mais analítica e reflexiva, mantendo a potência de sua força original, ao mesmo tempo em que reflete sobre as questões que interessam a ele”, analisa.

Nos três longas selecionados, essas questões giram em torno de transformações no corpo que servem de alegoria para os limites éticos e morais da relação do homem com a natureza na sociedade industrial contemporânea. Para Ciccarini, o eixo temático que conecta as três produções é um paralelo entre o maquínico e o orgânico. “O ser humano é um organismo com uma lógica maquínica. Mas enquanto uma máquina obtém sempre o mesmo resultado, existe algo de imprevisível no homem que faz dele um organismo muito interessante para o Cronenberg”, explica.

O curador reconhece que o cineasta não foi o primeiro a abordar essa temática. Kafka, por exemplo, é uma grande referência em “A Mosca”. Para revelar essas influências do diretor, a minimostra também faz uso da sessão do “História Permanente do Cinema” desta quinta, que exibirá a versão original de “A Mosca”, filmada em 1958 e na qual o longa de Cronenberg foi baseado. A dobradinha será comentada por José Ricardo Miranda Jr.

Próximas atrações. Com o fim da Copa, o Humberto Mauro volta às grandes retrospectivas. Ainda em julho, a sala apresenta uma mostra do diretor Vincent Minelli, seguida da filmografia completa do mestre Billy Wilder. E em agosto, será a vez do aguardado Stanley Kubrick.

Agenda

O que. “Três Vezes Cronenberg”

Quando. De hoje até sexta-feira

Onde. Cine Humberto Mauro – avenida Afonso Pena, 1.537, Centro

Quanto. Entrada franca

Programação completa. Confira no site www.fcs.mg.gov.br

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