Quase como no cinema

iG Minas Gerais |

acirg galvão
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O cinema ainda deve ao futebol um filme à altura da sua grandeza. Enquanto ele não vem, o esporte trata de fazer a sua parte ele mesmo e dar ao espectador suas doses de drama, ressurreição, tragédia, superação e happy end. E como se trata de vida real, ao vivo e em cores, o futebol vai dando o seu recado, como se dissesse ao cinema que não, nem o melhor dos seus profissionais poderia traçar roteiros tão mirabolantes, cheios de reviravoltas e curvas dramáticas, como costumam ser muitas partidas. Afinal, quem poderia escrever uma trajetória tão emocionante e épica como foi a conquista da Libertadores pelo Galo no ano passado? E a Copa – e esta em especial – está cheia desses filminhos produzidos na hora, em que galãs conquistam fãs, coadjuvantes roubam a cena, vilões mostram suas garras (ou dentes) e heróis surgem das cinzas. São esses personagens que nos conduzem à torcida, à vibração, ao choro, à putice, à alegria, ou tudo isso ao mesmo tempo, em questão de uma hora e meia, na melhor das hipóteses. Assim, o goleiro argelino Rais M’bolhi faz história, mesmo sendo eliminado; o atacante Suárez perde a chance de sua vida ao ser expulso do Mundial por morder um jogador da Itália, após fazer o mais difícil – se recuperar de uma cirurgia no joelho às vésperas da Copa; o menino James Rodríguez brilha com o gol mais bonito do torneio, levando sua Colômbia para uma disputa inédita e fazendo-a esquecer que está sem sua estrela maior, Falcão García; o antes herói espanhol Cassillas volta para casa mais cedo, fracassado; e o goleiro Julio Cesar se redime da falha da última Copa, ao pegar dois pênaltis, salvando o Brasil da desclassificação. E tudo é tão surpreendente que nem a presença daquele que ostenta o título de melhor jogador do mundo é garantia de nada. Como Cristiano Ronaldo que não conseguiu ser para Portugal o que tem sido o melhor jogador do mundo de fato, Messi, para a Argentina: o salvador da pátria.  Histórias de meninos pobres que viram estrelas graças ao futebol; de seleções sem nenhuma tradição desbancando campeãs mundiais; de profissionais desempregados considerados os melhores da partida; de jogadores que superam dores insuportáveis para ter a chance de sua vida.  Tudo isso levado a cabo quando 11 jogadores de um lado e 11 jogadores de outro, num campo imenso, de aproximadamente 100 m de comprimento por 70 m de largura, disputam uma bola com o objetivo de levá-la ao campo adversário até que ela balance as redes – e para isso vale tudo, de placa ou de canela, de cabeça ou de falta, olímpico ou contra. Como diz Dadá, “não existe gol feio; feio é não fazer gol”. Com regras, que se pretendem justas, mas nem sempre o são, já que dependem de seres humanos, que muitas vezes falham, ou por falta de caráter ou de habilidade, a história vai sendo desenhada, com cores dramáticas ou trágicas, raramente bem-humoradas, mas com a garantia de happy end para um dos lados.   É assim que aqueles simples jogadores se transformam em mais do que atletas para o espectador, principalmente o brasileiro. Não basta ser o melhor da sua posição e atuar bem, tem que ter atitude, postura, comprometimento. Porque o espectador do futebol não é passivo, é torcedor e não perdoa. Quer garra, entrega e força. Quer ver o seus maiores ídolos mostrarem que podem superar qualquer obstáculo. Não reconhece um capitão que se isola no momento de levantar o moral da equipe. Espera que ele chame a responsabilidade para si e assuma a derrota ou a vitória. Que ele seja o herói ou o vilão, jamais o cara que saiu de cena. Julio Cesar experimentou os dois papéis e já ator escreveu uma bela trajetória no futebol brasileiro. Thiago Silva pode até vir a levantar a taça, mas já entrou para a história como o cara que herdou, mas não honrou, a braçadeira, que já foi de Bellini, Mauro, Carlos, Dunga e Cafu. 

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