De Turim a Betim

iG Minas Gerais |

Reprodução/Acervo Fiat
undefined
Daqui a alguns dias, exatamente no próximo dia 9, ela, que está quase se tornando uma quarentona, faz mais um aniversário, desta feita o 38º. Estamos falando da Fiat, que desde 1976, ano de sua inauguração, vem mudando o panorama de Minas Gerais no contexto nacional.  A caçula entre as quatro grandes, expressão que não se apropria mais à nossa realidade, depois de tantas outras fábricas de grande porte como Renault, Honda, Toyota e Hyundai aqui também se instalarem, cresceu. E apareceu muito. Jovem aos 38, perante seus pares americanos, GM e Ford, ou da alemã VW, a montadora italiana demonstrou nestas décadas o vigor e a ousadia necessários para se tornar a líder do mercado nacional. Posição inimaginável há quase 40 anos, quando iniciou sua linha de produção em Betim (MG).  A trajetória até aqui não foi fácil; muitos obstáculos tiveram de ser superados para que a caminhada, até agora, tenha sido exitosa. Vamos relembrar hoje alguns episódios que marcaram essa história e de que apenas veteranos se recordam. Começo pelo fato de ter sido o ex-governador do Estado, Rondon Pacheco, um dos responsáveis pela instalação da Fiat no Brasil e, particularmente, em Minas. Mas isso não foi fácil. Teve que enfrentar muitas dificuldades na empreitada de descentralizar a indústria automotiva, naquela época, em sua totalidade, concentrada no Estado de São Paulo.  Os obstáculos lhe foram im<CW-17>postos desde que a Fiat começou a demonstrar interesse em por aqui instalar sua fábrica de automóveis (os italianos já operavam outros negócios ligados à produção de tratores e implementos agrícolas em Minas Gerais, por meio da Fiat Allis) só serviram de estímulo para continuar acreditando no potencial de nosso Estado. Fatos marcantes ficaram esquecidos pelas quase quatro décadas que já se vão longe no tempo.  Foi árduo o trabalho de convencimento em desviar de São Paulo o núcleo desta que é, sem dúvida, a mais aglutinadora das atividades industriais e vagão da economia brasileira: a indústria automobilística. A resistência comandada por Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, que era o poderoso presidente da Federação Paulista das Indústrias de São Paulo, a FIESP, deve ter sido das mais fortes. Nesta parte da história, entra o papel fundamental do governo de Minas como financiador de parte do investimento. Não fosse essa parceria, Minas não teria hoje o privilégio de ter tomado a liderança do setor, por muitos e muitos anos um justo orgulho dos paulistas.  Em sua constituição original, a Fiat era um misto de empresa privada e estatal, e foi decisiva esta participação. Durante o período em que o governo de Minas esteve participando ativamente do capital, era ele quem designava o presidente da Fiat. Primeiro Adolfo Neves Martins da Costa, depois Miguel Augusto Gonçalves de Souza, até que o governo se desfizesse de sua participação no negócio, para que a livre iniciativa tomasse as rédeas e a tornasse este gigante complexo industrial, que está na cabeça de todos quando o assunto é automóvel.  Em 2009 ficou ainda maior: incorporou outra grande e tradicional marca, para se tornar a FCA – Fiat Chrysler Automobiles. Agora, contribuirá para o desenvolvimento de Pernambuco, Estado onde ergue, no município de Goiana, uma nova planta industrial, que, a princípio, produzirá veículos com a marca Jeep. Motivos, portanto, não faltam para celebrar a passagem de mais um ano de vida. “Auguri di buon compleanno”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave