Seca no lago de Furnas traz prejuízo histórico às cidades

Volume da água no reservatório mineiro atinge o pior nível dos últimos 13 anos

iG Minas Gerais | Thaís Pimentel |

Pouca água. Frequência de turistas na ponte das Amoras, entre Campos Gerais e Alfenas, despencou
Venício Scatolino/jornal dos lagos
Pouca água. Frequência de turistas na ponte das Amoras, entre Campos Gerais e Alfenas, despencou

A queda constante do nível da água no lago de Furnas, que banha 34 municípios mineiros e cuja bacia hidrográfica influencia outras 16 cidades, vem provocando um rombo na economia do Sul de Minas Gerais. Só no ramo da piscicultura, o prejuízo previsto para 2014 está na casa dos R$ 18 milhões. A rede hoteleira e os restaurantes da região, onde o turismo era forte, vão fechar o ano com prejuízo de R$ 20 milhões, segundo as contas da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago).  

Em junho, o nível do lago atingiu a pior marca desde 2001, o ano do apagão: mais de 10 m abaixo do normal. E não vai chover. A equipe de climatologia do instituto PUC Minas Tempo Clima explica que até o dia 7 de outubro o tempo por lá deve ficar estável, sem volume significativo de chuva – o que é comum para esta época do ano.

“Eram produzidas, em média, 6.000 toneladas de peixes por ano. Esse número deve cair pela metade”, lamenta o secretário executivo da Alago, Fausto Costa. O piscicultor Francisco de Paula Vitor Alves foi obrigado a procurar áreas mais profundas para não perder todo o investimento. “Quem teve condição de ir para perto de Alfenas tem chance de salvar parte da produção. Mas nós já atrasamos bastante a repovoação das gaiolas”, disse. Segundo ele, cerca de 300 dos mais de 500 produtores que vivem da represa estão em apuros. “Já vai começar a faltar peixe em outubro. Quando chegar dezembro, a situação será desesperadora”, prevê.

Desolador. É a pior situação enfrentada pela região nos últimos 13 anos. Em Campo do Meio, com cerca de 10 mil habitantes, o número de visitantes caiu quase 50%. “A população vem sendo orientada a economizar água. Nós dependemos muito do turismo. Por causa da seca, os hotéis e restaurantes têm ficado vazios”, desabafa a secretária de Esportes, Turismo e Lazer da cidade, Renata Nogueira Reis.

Na Pousada do Canário, em Areado, os 27 apartamentos estariam ocupados nesta época, por causa das férias escolares. “Está difícil. Movimento caiu 50% em relação ao ano passado. A gente já teve que dispensar uma funcionária”, diz a gerente Celina Fernandes de Oliveira.

Energia A Copa ajudou. A concentração da torcida em torno de TVs ajudou a derrubar em 3% o consumo de energia no país em junho, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico.

Diretor da Aneel defende novo empréstimo BRASÍLIA. O diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, reafirmou nessa terça que a exposição das distribuidoras de energia ao mercado de curto prazo ainda tem impacto significativo na capacidade financeira das empresas e voltou a defender a necessidade de um novo aporte às concessionárias do setor. Ainda assim, Rufino ponderou que essa decisão cabe ao Ministério da Fazenda. Se o governo decidir por um novo aporte ao setor, e se essa decisão levar a um novo empréstimo para além dos R$ 11,2 bilhões, há um limite para a extensão da medida. “Há um limite de valor para a ampliação sem a necessidade de um novo contrato. Isso está no contrato”, explicou. O financiamento adicional deve ficar em torno de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões.

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