Comércio do Teresópolis fecha as portas após morte em blitz

Polícia Miliitar diz que houve toque de recolher na região, mas lojistas negam

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Comércio em avenida não funcionou nesta terça-feira (1º)
Nelson Batista
Comércio em avenida não funcionou nesta terça-feira (1º)

 maior parte dos comerciantes do Teresópolis, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, fechou as portas ontem, durante todo o dia, após Ueberson Gomes de Moura, o Binha, de 26 anos, ter sido morto anteontem à tarde por policiais militares que faziam uma blitz na avenida Juiz Marco Túlio Isaac, na altura do bairro Imbiruçu.

Apesar de a assessoria de imprensa do 33° Batalhão da Polícia Militar informar que o fato ocorreu porque um toque de recolher foi imposto por traficantes da região, lojistas negaram e disseram que tomaram a iniciativa por precaução e em consideração à vítima e seus familiares. “Ueberson nasceu e foi criado aqui, no Teresópolis. Era um bom rapaz”, disse um comerciante, que preferiu não se identificar.

Outro lojista contou a mesma versão. “Não abrimos hoje (ontem) em respeito à família de Ueberson. Aqui, respeitamos os nossos amigos e vizinhos”, justificou.

Em protesto contra a morte do rapaz, moradores também atearam fogo a pneus na avenida Duque de Caxias, na tarde de ontem, bloqueando o trânsito. O fato ocorreu no momento em que o corpo de Ueberson era velado na região.

“Queremos justiça. Ueberson foi morto injustamente, com dois tiros no peito, sem chances de reagir. Ele e o Deneir (motorista do Palio parado na blitz) não tentaram fugir. Os dois pararam antes da barreira porque Deneir era inabilitado e ficou com medo”, defendeu um amigo de infância da vítima.

Já uma familiar de Ueberson, que também pediu para não ser identificada, contestou a versão da PM, de que o rapaz tentou sacar uma arma que estava na sua cintura, uma pistola calibre 45, durante a abordagem. “Essa arma não foi apresentada a nenhum familiar”, ressaltou. De acordo com a PM, Ueberson e Deneir tinham passagem por roubo e tráfico de drogas. Deneir estava em condicional e sendo monitorado por uma tornozeleira, Ele foi encaminhado para o Ceresp de Betim.

Por causa do suposto toque de recolher, o policiamento foi reforçado no Teresópolis. O assessor de imprensa do 33° batalhão, tenente Danilo Antonioni, informou que os policiais vão permanecer no local até que seja restabelecida a rotina na região. “Não há motivos para terror”, disse.

O tenente Carlos Coelho, comandante da 2ª Companhia de Missões Especiais, informou que foi aberto inquérito para apurar o caso e que o militar responsável pelos disparos irá passar por uma avaliação psicológica hoje. Ele informou ainda que a pistola calibre 45 apreendida com Ueberson foi entregue à Polícia Civil. 

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