Com TVs ligadas na Copa e feriado, consumo de energia cai 3% em junho

O efeito dos jogos, segundo Diretor do CBIE, se dá porque a população interrompe as atividades rotineiras para acompanhá-los

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A concentração da torcida em torno de TVs ajudou a derrubar em 3% o consumo de energia no país em junho, em comparação com o mês anterior, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

"Durante os jogos do Brasil o consumo cai, porque pessoas se reúnem em uma mesma casa ou ponto [bar ou restaurante, por exemplo] e ninguém liga absolutamente nenhum aparelho elétrico naquele momento", informou o ONS por meio de sua assessoria.

Diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), Adriano Pires disse que, nos jogos que envolvem apenas seleções de outros países, o impacto é mais sensível nas capitais onde as partidas são realizadas.

O efeito dos jogos, segundo Pires, se dá porque a população interrompe as atividades rotineiras para acompanhá-los.

Boa parte dos setores produtivos para, porque as empresas costumam liberar os funcionários para assistir as disputas.

A carga no SIN [Sistema Interligado Nacional] em junho foi de 60.806 MWmédios --na comparação com junho de 2013, ela cresceu 1,1%.

FERIADO

"Deve-se considerar que, além do impacto do Mundial, o consumo mensal é influenciado por diversos fatores, como variações de temperatura diferentes das esperadas, calendário [diferença no número de dias úteis], perdas na rede básica e fatores econômicos [desempenho dos setores industrial, comercial e residencial, entre outros]", afirmou Pires.

O diretor do CBIE disse ainda que o feriado de Corpus Christi, em 19 de junho, também contribuiu para o consumo registrado nesse mês.

"Esse feriado foi comemorado em maio em 2013", disse.

CENÁRIO PREOCUPANTE

Pires afirma que a queda no consumo em junho é positiva para a o setor elétrico, por reduzir a pressão sobre o sistema de transmissão e distribuição, diminuindo a vulnerabilidade.

Porém, o especialista frisa que a atual situação do setor elétrico ainda é preocupante, diante do ainda baixo nível dos reservatórios das usinas hidroelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste (o maior do país), que estão exigindo elevado acionamento térmico.

Isso faz com que a segurança do fornecimento elétrico esteja mais vulnerável.

Em decorrência das baixas vazões hidrológicas, da falta de chuvas e do consequente acionamento das termoelétricas, o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que determina o valor da comercialização da energia no mercado livre, atingiu o máximo estabelecido pela Aneel [agência reguladora] para 2014, sendo R$ 822,83/MWh, em algumas semanas dos meses de fevereiro, março e abril de 2014, no submercado do Sudeste/Centro-oeste.

"Atualmente, o PLD está em torno de R$ 400 por MWh, no submercado do Sudeste/Centro-Oeste", afirmou Pires. "Note que o comportamento do PLD não tem relação com o evento Copa do Mundo", complementou.

O consumo de energia durante a Copa pode ser acompanhado por meio dos boletins que o operador solta nos dias de jogos. À reportagem, o ONS informou que durante os intervalos dos jogos, principalmente os do Brasil, o consumo volta a subir.

DURANTE OS JOGOS

Levantamento do CBIE com base em informações do operador mostra que, no jogo mais recente da seleção (Brasil x Chile, dia 28), foi observada uma redução de carga no SIN de 7.000 MW a partir das 11h (a partida foi às 13h).

"A redução de carga durante os 30 minutos que antecederam o início do jogo foi de 3.000 MW", disse Pires.

Nos momentos que antecederam o jogo, a carga encontrava-se em cerca de 6.000 MW abaixo da curva de um sábado típico.

Houve uma redução de 2.800 MW durante os primeiros 45 minutos, correspondente à continuação da redução natural de carga em função do jogo.

"Durante o primeiro tempo, a diferença média de carga observada nesse período foi de menos 9.000 MW em relação a um sábado normal. No intervalo do jogo, observou-se uma rampa com crescimento de carga de 2.300 MW em 9 minutos", falou.

O especialista disse ainda que no início do segundo tempo, observou-se uma rampa com redução de carga de 2.400 MW em 15 minutos. Já durante o segundo tempo, prorrogação e pênaltis, foi constatado uma redução de carga de 4.000 MW.

"Após o término dos pênaltis, observou-se uma rampa de carga, com elevação de 7.000 MW em 30 minutos", destacou.

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