Time feminino de futebol do Chile agita Copacabana

Time da Universidade de Santiago ocupou dois apartamentos para acompanhar a seleção do país

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Na Fifa Fan Fest de Copacabana, no dia da abertura da Copa do Mundo, um fenômeno raro acontecia: a fila do banheiro químico masculino tinha até uma hora de espera. Já a do feminino, estava vazia.

Segundo a Polícia Federal, entre 1º de maio e 20 de junho, apenas 27% dos turistas que entraram no país eram mulheres. Nesse cenário, qualquer grupo de mais de três chamaria a atenção -que dirá 17.

No mesmo bairro de Copacabana, dois apartamentos a poucas quadras da praia abrigam um time inteiro de futebol feminino da Universidade de Santiago e mais algumas agregadas. Elas têm entre 22 e 30 anos.

O aluguel custou R$ 20 mil por doze dias, e elas estimam que gastarão cerca de R$ 3 mil por pessoas com outras despesas.

Vieram principalmente para acompanhar a seleção num Mundial. "O próximo será na Rússia, depois no Qatar, e até lá nós já teremos filhos e tudo o mais. Daria mais trabalho", diz Fabiola Arrollo.

Com a eliminação do Chile pelo Brasil no último sábado (28), elas pretendem voltar para casa.

"Ficamos muito tristes porque tínhamos mesmo a esperança de ganhar, mas o futebol é assim, tem que saber perder, e nós, como chilenas, infelizmente sabemos bem como é isso", lamenta Nataly Gatica.

Quase todas já se formaram, mas o time, que se chama Zombies, continua se encontrando três vezes por semana para jogar.

Duas das meninas são jogadoras profissionais, o que, segundo elas, quer dizer voluntárias, pois a maioria das equipes chilenas não pagam salário aos times femininos.

A solução é exercer outras profissões durante o dia, e treinar à noite e nos fins de semana.No Rio há mais de dez dias, elas têm jogado nas areias de Copacabana, sempre com homens.

Contam que esperavam que houvesse uma cultura mais forte de futebol feminino no Brasil, mas dizem ser bem tratadas pelos colegas de pelada.

Se incomodam apenas com a atenção que têm chamado no calçadão. Já foram abordadas pelos organizadores de uma festa na Lapa, que as ofereceram transporte, bebida e ingresso, que para os homens custava R$ 80.

"Só faltavam nos implorar para ir à festa", diz Lorena Jara, rindo. Toparam o programa, mas contam que passaram a noite afastando pretendentes.

Elas reclamam do assédio, mas não discriminam por nacionalidade. "Bêbados, são todos iguais", dizem elas, quase em uníssono.

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