Pesquisa da UFMG sobre violência chega a Betim

Levantamento busca fazer um perfil da violência em três cidades mineiras

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Equipe. Pesquisadores já estiveram em 400 casas na capital mineira
Andréia Paiva/Divulgação UFMG
Equipe. Pesquisadores já estiveram em 400 casas na capital mineira

Moradores de Betim, na região metropolitana da capital, começaram a receber nessa segunda em suas casas um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que, por meio de entrevistas, está traçando um perfil da violência em três cidades. A pesquisa Saúde e Prevenção da Violência (Sauvi), da Faculdade de Medicina da UFMG, que chegou nessa segunda ao município, já percorreu, desde maio, cerca de 400 casas em Belo Horizonte e vai também, no próximo mês, a Sete Lagoas, na região Central.

Ao todo, serão feitas visitas a 5.225 residências escolhidas aleatoriamente em todas as regiões das três cidades, com o objetivo de levantar informações sobre as várias formas de violência e seus fatores influenciadores. A ideia é que os dados extrapolem o ambiente acadêmico e sejam referência para a criação de políticas públicas específicas de combate à criminalidade.

“Conclamamos os moradores a participar da pesquisa porque isso vai contribuir na produção do conhecimento que vai subsidiar políticas públicas municipais de prevenção da violência e promoção da cultura da paz”, explica a coordenadora do projeto, professora Elza Machado de Melo.

Segundo ela, as informações obtidas vão nortear a adequação das medidas de combate à violência em cada município. “Projetos que não estão respaldados no conhecimento real do que acontece têm grande chance de serem ineficazes e fracassarem”, completou.

Cronograma. Em Betim, os bairros das regionais Alterosas, Imbiruçu e PTB já estão recebendo os entrevistadores desde nessa segunda. As demais regiões – Citrolândia, Norte, Teresópolis, Vianópolis e Centro – serão contempladas a partir desta terça. Segundo a pesquisadora Tânia Resende, coordenadora do projeto no município, são 105 entrevistadores trabalhando em Betim, entre agentes da prefeitura e alunos da Faculdade Pitágoras, parceira da pesquisa. As visitas devem ser concluídas em 30 dias.

Detalhes do projeto

Projeto. A pesquisa Sauvi é uma iniciativa do Mestrado Profissional de Promoção de Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG, em parceria com os municípios e com apoio do Ministério da Saúde. A expectativa é que o trabalho de campo seja concluído em outubro. Amostra. Estão sendo realizadas entrevistas em 5.225 domicílios selecionados por sorteio, sendo 2.025 em Belo Horizonte, 1.600 em Betim e 1.600 em Sete Lagoas. Todos receberam uma carta explicativa do projeto.  Perfil. Os questionários estão organizados em blocos temáticos: condições sócio-demográficas, saúde, trabalho, violência doméstica, violência no trânsito, violência institucional, violência comunitária e violência autoinflingida. Os dados obtidos são sigilosos.  Entrevistadores. Participam da pesquisa professores, mestrandos e alunos da UFMG, além de profissionais de saúde dos municípios, treinados e identificados com vestimentas e credenciais da pesquisa.

Morador é favorável à iniciativa

Quem convive diariamente com a violência em Betim apoia a iniciativa da UFMG. Morador do bairro Jardim Petrópolis, Hilquias Passos, 22, já foi assaltado duas vezes. “Aparentemente a violência teve queda há uns três anos, mas de 2013 para cá, voltou muito forte”, diz. Segundo os pesquisadores da UFMG, o projeto tem tido boa receptividade nas casas, tendo inclusive recebido ligações de interessados em participar.

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