Achado fazia parte de biblioteca da seita religiosa dos essênios

iG Minas Gerais | Ana Elizabeth Diniz |

Depois da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, circulou uma teoria conspiratória de que autoridades religiosas estariam ocultando alguns dos textos mais comprometedores.

Segundo Ariel Finguerman, “os responsáveis por essas teorias foram os próprios arqueólogos, que monopolizaram o exame dos manuscritos. Eles fizeram um acordo entre si de que não divulgariam os resultados da pesquisa antes que tudo fosse examinado”.

Entretanto, eles levaram décadas para fazer o trabalho, então criou-se essa suspeita, diz Finguerman. “Mas hoje todos os manuscritos estão publicados e traduzidos para o inglês e não há nada ali que abale nenhuma coluna da Igreja, pelo contrário, aumentou nosso conhecimento sobre a época de Jesus”.

Esse legado consiste em cerca de 900 documentos. “Parte são bíblias, mas somente do Antigo Testamento, pois naquela época ainda não existia o Novo Testamento por escrito. Parte são livros apócrifos, ou seja, textos da época bíblica que mais tarde seriam rejeitados pelo judaísmo, mas que naquela época ainda eram considerados santos. E uma literatura própria dos essênios, que não conhecíamos até a descoberta dessas cavernas, como por exemplo, o documento ‘Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos da Escuridão’, que fala de um conflito apocalíptico dos últimos dias”.

Os documentos, diz Ariel, “eram a biblioteca de uma seita religiosa que existia na época de Jesus na Terra Santa, os essênios. Alguns foram escritos por eles e outros vieram de outros lugares da Israel antiga e faziam parte do acervo.”

Os essênios, ensina o pesquisador, vêm do mesmo contexto histórico de Jesus. “Naquela época, a religião de Israel estava dividida, não havia um só entendimento de como servir a Deus. Era mais ou menos como em nossa época, onde no interior do cristianismo há católicos, evangélicos, batistas etc. Os essênios eram uma seita que resolveu ir ao deserto se purificar, pois consideravam corrupta a classe sacerdotal de Jerusalém”, diz.

“O interessante são as semelhanças entre os primeiros cristãos e os essênios. Além de ambos criticarem os sacerdotes, também viviam em comuna, usavam água como purificação, condenavam de forma radical o divórcio, entre outras semelhanças”.

Ariel sustenta que Jesus não foi um essênio, mas os pesquisadores acreditam que ele muito provavelmente teve contato com essa seita. Os manuscritos nos iluminam sobre a vida cotidiana na época de Jesus, como viviam, como pensavam, o que comiam e como se relacionavam com outros grupo”. 

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