OEA convoca reunião para discutir caso da Argentina

País latino depositou valor de US$ 1,3 bi na semana passada

iG Minas Gerais |

Apelo. Axel Kicillof, ministro da Economia, vai participar da reunião da OEA nesta quinta-feira
John Minchillo
Apelo. Axel Kicillof, ministro da Economia, vai participar da reunião da OEA nesta quinta-feira

Washington, EUA. O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou nessa segunda por aclamação um requerimento da Argentina que convoca para esta quinta-feira, dia 3 de julho, uma reunião de consultas de chanceleres para discutir a questão da dívida pública.

Embora o pedido argentino para a realização da reunião tenha sido aprovado por aclamação, a delegação dos Estados Unidos deixou claro que, se houvesse votação, o país optaria pela abstenção.

A Argentina enfrenta uma batalha jurídica em torno dos pagamentos de suas dívidas, que pode levar o país a dar um novo calote em seus credores.

O fundo litigante NML Capital disse nessa segunda que a Argentina não sentou-se à mesa de negociações com os fundos que ganharam um processo nos Estados Unidos que a impede de cumprir com uma cota de sua dívida reestruturada.

“A disposição da Argentina em negociar com seus credores provou ser outra promessa não cumprida”, afirmou, em um comunicado, uma das empresas que ganharam o julgamento em Nova York para cobrar, junto com outros fundos, US$ 1,33 bilhão do país.

Mas nessa segunda à noite, nota do governo da Argentina informava que uma delegação vai se reunir com o mediador indicado pelo juiz para conduzir as conversas.

Depósito. Na última sexta-feira, o pagamento de US$ 1,3 bilhão feito na véspera pela Argentina a credores da dívida – aqueles que recebiam em parcelas – foi considerado “ilegal” e “não será realizado”, segundo o juiz Thomas Griesa.

Para a Justiça norte-americana, os argentinos só podem pagar as parcelas quando honrarem o pagamento dos que exigem receber o valor sem descontos ou parcelas maiores.

Como os recursos do depósito feito pela Argentina foram bloqueados, isso pode configurar um novo calote do país – mesmo que involuntário. Griesa determinou que o dinheiro, depositado no banco New York Mellon, seja devolvido.

Prazo. O prazo para que a Argentina pagasse seus credores terminou nessa segunda. Se não o fizesse, o país entraria no chamado “calote técnico”. Mas o governo ainda terá um prazo de carência de 30 dias antes do default, ou seja, o chamado calote.

O governo de Buenos Aires chegou a fazer, na última quinta-feira, um depósito de US$ 832 milhões – US$ 539 milhões deles no Bank of New York Mellon – referentes a uma parcela do pagamento ao grupo que aceitou reestruturar sua dívida. O destino do restante da quantia não foi especificado pelo país.

A Argentina classificou a decisão do juiz como “insólita e um abuso de autoridade”.

No Brasil

Efeitos. Se a Argentina der calote, pode ocorrer uma crise de confiança em países da América do Sul e prejudicar o Brasil. Também é uma ameaça aos acordos do Mercosul e às exportações.

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