Artistas põem museu em xeque

Grupo EmpreZa recebe artistas e propõe ações que tensionam os espaços do Museu de Arte do Rio durante residência

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Ações. Registro da participação dos mesmos no serão performático “Como Chama” realizado na última sexta-feira, juntamente com o Grupo EmpreZa
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Ações. Registro da participação dos mesmos no serão performático “Como Chama” realizado na última sexta-feira, juntamente com o Grupo EmpreZa

Teve fogos de artifício queimados na entrada do Museu de Arte do Rio (MAR), na última sexta-feira (27/6), e mais chamas dentro da galeria do espaço. A atmosfera de festa junina, protesto e iconoclastia, que tomou conta do edifício e do entorno do local, foram provocadas pelas ações promovidas pela parceria entre o Grupo EmpreZa, oriundo de Goiás, e o coletivo Nós, Temporários, criado em Belo Horizonte em 2013.

Se havia qualquer restrição em relação ao uso do fogo em criações artísticas naquele ambiente, Paulo Angelini, integrante do EmpreZa, afirma que ela foi superada. “Não aceitamos proibições, mas dialogamos muito para viabilizar qualquer ação que vai contra as normas do museu. Se o problema é lidar com o fogo, é importante que eles se adaptem a isso, se querem de fato ser um espaço dedicado à arte contemporânea e experimental. Nós não podemos mudar nossas propostas por causa dessas limitações”, reflete Paulo Angelini.

A atitude resume grande parte da postura do grupo, mantida durante o serão performático “Como Chama”, realizado na sexta-feira. Convidados pelo MAR para promover uma residência artística que deve durar até o próximo mês, o EmpreZa é anfitrião de uma série de encontros com vários artistas do país, dentre eles, Bruno Figueiredo e Priscila Amoni do Nós, Temporários.

“Nós já recebemos cerca de 30 artistas e tem sido um processo incrível. A ideia é trocar experiências de forma que cada um possa deixar a sua contribuição. Desse contato, surgem trabalhos autorais muito interessantes que produzimos juntos”, explica Angelini. De acordo com ele, enquanto algumas das salas do MAR estão ocupadas com documentos, fotografias, vídeos e instalações que contam um pouco da trajetória do grupo, em outra foi inaugurado um ateliê aberto onde qualquer interessado pode se aproximar para participar das etapas de criação.

“Talvez o nosso maior trabalho, que nos esforçamos em mostrar, é essa configuração como um coletivo de pesquisa da linguagem da performance no país, que existe há 13 anos e se renova continuamente. Hoje nós temos mais ex-integrantes que integrantes e manter isso pode ser nossa maior obra até o momento”, observa Angelini.

Para o artista e fotógrafo mineiro Bruno Figueiredo, cujas imagens e ações ficaram conhecidas durante a cobertura das manifestações iniciadas em junho do ano passado, a experiência de conviver durante dez dias com o coletivo foi bastante rica. “Para a maioria de nós, essa residência em performance foi algo muito novo. Participar do serão performático ‘Como Chama’ foi um processo forte e intenso. O EmpreZa tem uma maneira de trabalhar que tira as pessoas da zona de conforto, o que para nós representou um grande exercício criativo”, conta Figueiredo.

Ele recorda que uma das ações promovidas foi colocar sobre a fachada do MAR uma nova versão da bandeira usada nas manifestações de 2013. Aliás, foi naquele ano a primeira vez que esteve envolvido em um projeto com o coletivo goiano, em Brasília.

Em razão de um evento que reunia artistas e ativistas, o Nós, Temporários e o Grupo EmpreZa produziram uma faixa com a frase “Porque Eu Quis”. Na época, a afirmação foi dita por um capitão da polícia militar em vídeo, de grande circulação na internet, quando Bruno questionou o motivo da repressão policial à presença deles na área próxima ao Congresso Nacional, ainda que não tivessem ultrapassado o limite exigido pela corporação.

“Nós estávamos levando uma bandeirona em que estava escrito ‘Unfair Players’, e a reação da polícia gerou uma grande repercussão nacional. Como o contexto ainda estava muito marcado pelas manifestações, fizemos uma nova bandeira, naquele momento, com a frase ‘Porque Eu Quis’, e as letras foram pintadas com o sangue dos performers do EmpreZa”, acrescenta.

“Eles têm essa relação com o corpo que é algo muito recorrente em suas performances. Esse tipo de pesquisa que fazem os coloca hoje como um dos grupos mais importantes dessa área no país”, conclui Bruno Figueiredo.

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