Real controlou a inflação, mas não evitou um Brasil caro

Moeda completa nesta terça duas décadas de circulação e é símbolo da estabilidade econômica do país

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Hoje (terça-feira), o Plano Real comemora 20 anos. E, para os economistas, há vários motivos para comemoração. Afinal, depois de vários planos anteriores fracassados, o Real, que passou a circular dia 1º de julho de 1994, controlou a hiperinflação e deu estabilidade econômica ao país.  

“Com isso, os consumidores puderam fazer um planejamento econômico, o que permitiu o acesso a produtos e serviços que antes era praticamente impossível. Lembro que as pessoas, quando recebiam o pagamento, corriam para o supermercado para comprar, pois os preços eram alterados praticamente todos os dias”, diz o economista José Dutra Vieira Sobrinho.

O Plano Real começou a ser elaborado em 1993, no governo do presidente Itamar Franco (1992-94). O então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, criou um grupo com André Lara Resende, Edmar Bacha, Gustavo Franco, Pedro Malan e Persio Arida para desenvolver o projeto.

Apesar da inflação controlada, quando comparada com junho de 1994, um mês antes do lançamento do plano, quando estava no patamar de 50%, ainda nesta terça o Brasil é considerado um país caro. A culpa, segundo especialistas, é fruto de vários fatores, entre eles, o custo Brasil elevado, estimulado pelos juros altos, além da elevada carga tributária.

Os juros cobrados nos empréstimos para pessoas físicas, conforme os últimos dados do Banco Central, chegaram em maio a 42,5% ao ano – 0,5 ponto percentual a mais do que em abril.

O professor de economia aplicada de MBAs da FGV/Faculdade IBS, Raul Duarte Neto, também fez um balanço positivo do Plano Real. “Além de controlar a inflação, o Plano Real ajudou na distribuição de renda no país”, observa. Ele frisa que, em 1993,antes da implantação do plano, a inflação chegou a 2.477,15%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E em 1995, a taxa passou para 22,41%.

O professor afirma que o que é preciso fazer hoje é atacar o déficit fiscal. “É fato que vivemos hoje um período de desaceleração da economia. Com a redução da produção, a arrecadação dos impostos vai cair. E o problema é que o governo já gasta mais do que arrecada”, diz.

Diante disso, o governo já não tem capacidade para investir, tanto que entregou recentemente aeroportos e rodovias para a iniciativa privada, através das concessões. “É preciso estimular os investimentos”, diz.

Para ele, o governo não pode descuidar do controle da inflação. “O governo não deve ser tolerante com a inflação”, aconselha.

Especialistas afirmam que há mais pontos positivos do que negativos no Plano Real. Entretanto, Vieira Sobrinho afirma que um erro do plano foi ter mantido o real valorizado em relação ao dólar por muito tempo. “Assim, as importações são estimuladas e as exportações são dificultadas”, disse.

Nota de R$ 1 Circulação. Símbolo do plano de estabilização, a nota de R$ 1 parou de ser produzida há nove anos. Entretanto, nas contas do Banco Central, ainda perambulam por aí 149 milhões de cédulas de R$ 1.

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