ALMG inaugura monumento que homenageia doadores de órgãos

Obras traz estátuas de duas pessoas olhando os nomes dos cerca de 400 heróis, que salvaram vidas nos últimos anos

iG Minas Gerais | LUCIENE CÂMARA |

Estátuas de duas pessoas observam os nomes dos doadores de órgão
Mariela guimarães/ O TEMPO
Estátuas de duas pessoas observam os nomes dos doadores de órgão

De uma morte trágica e repentina, famílias encontram força na solidariedade. Nos últimos oito anos, saltou o número de doações de órgãos no Estado. Em 2006, eram 3,6 doadores para cada um milhão de habitantes. Atualmente, são 14 dentro do mesmo grupo, de acordo com o MG Transplantes. O órgão pretende alcançar a taxa de 18 para cada um milhão até 2018. Os nomes de algumas dessas pessoas que ajudaram a salvar vidas nos últimos anos estão estampados em um monumento, que foi inaugurado nesta segunda-feira (30), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O evento reuniu cerca de 400 pessoas, entre familiares e autoridades. Muitos deles traziam no peito a foto do ente querido e se emocionaram com a homenagem. “Ter o coração do meu filho batendo no peito de outra pessoa é saber que, de alguma forma, ele está vivo”, afirmou a cabeleireira Aparecida Maria da Silva Santos, 54.

Ela perdeu o filho Tiago da Silva Santos, 25, em acidente de trânsito, em janeiro de 2011. Mesmo na dor diante da morte inesperada, ela optou pela doação. “Quando tirou o primeiro documento de identidade, ele já havia manifestado essa vontade”, relatou a mãe. A decisão da família resultou no transplantes de cinco órgãos: coração, rim, fígado e as duas córneas.

Assim como o filho de Aparecida Maria, os doadores de órgãos são, em sua maioria, pessoas que morrem de maneira repentina, com traumatismo craniano ou alguma hemorragia, segundo o diretor do MG Transplantes, Charles Simão. “Em um momento extremamente difícil, a família precisa tomar a decisão de doar ou não”, disse Simão.

Foi o caso também de Tarley Duarte, 26, que morreu em um acidente na BR–381, a caminho da cidade de Mesquita, no Vale do Aço, onde passaria o Réveillon deste ano com a família. A peça de um caminhão se soltou e bateu na cabeça do rapaz, que conduzia o veículo. “Nem tivemos dúvida ao optar pela doação, pois ele já participava de ações sociais e era doador de sangue”, relatou a irmã de Tarley, Lisley Martins Fernandes, 31, que mora em João Monlevade, na região Central, e veio ontem à capital para a inauguração do monumento.

No dia seguinte ao acidente de Tarley, outra família passou pelo mesmo drama, em Nova Lima, na região metropolitana. Ao voltar da festa de Ano Novo na Pampulha, o montador de andaime Guilherme Felipe Souza, 18, moreu em uma batida. “Foi uma dor muito grande, mas com a doação sinto meu filho vivo”, relatou a mãe, Nádia Cristina Souza, 38.

Notificações

O diretor do MG Transplantes,Charles Simão, disse que as famílias estão hoje muito mais conscientes da importância da doação. Mas, segundo ele, o Estado ainda sofre com a falta de notificação por parte de hospitais, que, por falta de capacitação, não avisam o órgão sobre os possíveis doadores. “Temos uma barreira geográfica muito grande no Estado e precisamos romper isso, realizando mais transplantes no interior”, afirmou Simão.

Embora Minas tenha tido avanço no número de doadores, ele ainda aparece em sétimo lugar no ranking da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Durante a inauguração do monumento de homenagem aos doadores, estava a representante comercial Kátia Simone Vieira, 49, que há nove anos aguarda a doação de um rim. Com insuficiência renal, ela precisa fazer quatro hemodiálises por dia e tem esperança de ainda este ano conseguir o transplante e retomar a vida normal. “Acredito que esse monumento de homenagem aos doadores possa dar mais visibilidade para a questão e conscientizar mais famílias”, disse Kátia.

O monumento foi criado pelo artista plástico Leo Santana, responsável por outras esculturas famosas, como a de Carlos Drummond de Andrade na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro. Na homenagem aos doadores, ele criou duas pessoas comuns, um homem e uma mulher, contemplando os nomes dos doadores.

A obra fica no jardim interno da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), próximo ao espaço Democrático José Aparecido de Oliveira, e faz parte de um convênio entre a ALMG, o MG Transplantes, a Secretaria de Estado de Saúde e a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). No momento, 400 nomes de doadores estão divulgados em placas no local, mas a intenção é ampliar para 2.500.

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