Detentos da Nelson Hungria são preparados para o mercado de trabalho

A ideia é ressocializar essas pessoas para a vida fora da prisão e evitar que, por falta de oportunidades, eles cometam outros crimes

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Durante o curso, os presos foram preparados para a vida fora das grades
DIVULGAÇÃO/ GOVERNO DE MINAS
Durante o curso, os presos foram preparados para a vida fora das grades

Presos do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, se preparam para o mercado de trabalho. Durante cinco meses, 14 detentos participaram do curso de Competências Profissionais, realizado pelo Programa de Inclusão Social dos Egressos do Sistema Prisional (Presp), do Governo de Minas.

Nos encontros quinzenais, foram abordados temas como relações humanas e ética, planejamento familiar e empreendedorismo, saúde, segurança do trabalho e meio ambiente, desafios da juventude e cidadania, entre outros. De acordo com a diretora de ressocialização da Penitenciária, Judisônia Curte, a demanda por capacitação profissional é dos próprios detentos. “Muitas vezes o preso tem medo de não conseguir emprego depois da liberdade. A maioria fica muito tempo fora do mercado de trabalho ou nunca trabalhou em um emprego formal. O curso foi uma oportunidade de preparar os pré-egressos para os próximos desafios”, explica.

O Presp é uma ação da Coordenadoria Especial de Prevenção à Criminalidade (Cepec) da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), que trabalha com indivíduos que sofreram processos de criminalização e cerceamento de liberdade. Seu objetivo é promover condições para a retomada da vida em liberdade, buscando o distanciamento do egresso de condições que provoquem a reincidência criminal.

A coordenadora do programa, Daniela Prado, destaca a necessidade da preparação social dos egressos do sistema prisional. “Precisamos dar oportunidades, ensinar a ética, o compromisso com o trabalho e habilidades de comunicação para que o egresso se insira nas atividades produtivas”, orienta.

A psicóloga e técnica social do centro de Prevenção à Criminalidade de Contagem (CPC Contagem), Carolina Coelho, foi uma das orientadoras do curso, ministrado pela primeira vez no Complexo Penitenciário Nelson Hungria. Ela ressalta o aprendizado dos pré-egressos. “Cada grupo, cada unidade prisional, é particular. Eles foram participativos, críticos e responsáveis o tempo todo. Um dos temas pelos quais eles mais se interessaram foi cidadania, porque viram a importância e as possibilidades de exercer o papel de cidadão quando receberem a liberdade, o que deixou a equipe muito satisfeita”, destaca.

Histórias

Cada um dos 14 detentos participantes do curso carrega marcantes histórias de vida. Alguns passaram quase metade da vida em uma unidade prisional e aguardam ansiosos a realidade do mercado profissional. Durante a formatura, eles compartilharam essas histórias e também o aprendizado de quem valoriza o trabalho e espera a liberdade.

Moacir Cordeiro, de 58 anos, disse ter “inaugurado” o Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em 1988, onde cumpre pena desde então. Na prisão, aprendeu a fabricar freios e também os ofícios da lavanderia da unidade prisional. Moacir tem esperanças para o dia em que se despedir da penitenciária. “Quero viver do meu suor. Eu não sabia o que era trabalhar antes de ser preso, aprendi a trabalhar na cadeia. Hoje em dia eu até ensino os ofícios aos outros presos”, revela.

Quem também tem o que contar e ensinar é Geraldo Souza, de 56 anos. Geraldo, detento do sistema prisional desde 1983, é filósofo, padeiro, pedreiro e eletricista. Para ele, o curso apresenta uma nova chance. “Tudo que acontece aqui é uma oportunidade. Hoje em dia, tudo é reciclável e por que não reciclar o homem? Há um mundo melhor e qualquer homem pode se arrepender depois de ficar atrás das grades. Todo homem é recuperável e esse curso aumentou minha autoestima, meu desejo de trabalhar ainda mais quando eu alcançar minha liberdade”, conta.

Da Agência Minas. 

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