População aguarda melhorias

Moradores de cidades próximas da capital relatam os problemas de quem vive em meio à terra

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira Luiza Muzzi |

Segundo os moradores, na MG–030 “ou é poeira ou é barro”
Fotos: denilton dias
Segundo os moradores, na MG–030 “ou é poeira ou é barro”

Para quem escuta, há anos, a promessa de que o asfalto vai, enfim, chegar à porta de casa, a lentidão na execução das obras do programa Caminhos de Minas é motivo de desânimo. Acostumados aos transtornos causados pelas estradas de terra, muitos já não têm esperança de viver para ver as mudanças. Dos 7,3 milhões de mineiros que serão beneficiados, segundo o governo do Estado, quando o programa estiver concluído, 6,9 milhões ainda aguardam pelas melhorias.

A reportagem de O TEMPO percorreu três trechos da região Central que estão incluídos no Caminhos de Minas, e, em todos, os relatos eram os mesmos: sem asfalto, não tem transporte, não tem saúde, não tem educação. “Já aconteceu de as crianças não irem para a escola porque chove, a estrada vira barro, e ninguém passa”, conta Raimundo Nonato Filho, 57, que mora às margens da MG–030, no trecho de 25 km que liga Rio Acima a Itabirito.

“Dizem que no mapa isso aqui é asfaltado. Falam disso há anos, mas até agora, nada”, reclama Raimundo. O morador conta que o pai, que faleceu por causa de uma pneumonia, tinha dificuldade para conseguir chegar ao médico em Rio Acima. “Toda vez que ele ganhava alta do hospital, a ambulância vinha sacolejando com ele até aqui em casa”.  O projeto de engenharia para pavimentação da estrada está concluído, e a empresa que executará a obra já foi até contratada, mas, na prática, nada de obras por enquanto. “Minha mãe tem problema de asma e todo dia sofre para descer a pé para trabalhar em Rio Acima, por causa de tanta poeira”, diz o mototaxista Rodrigo Rosa, 32, que mantém a esperança de melhora. “Além de melhorar o deslocamento, o asfalto traz mais segurança, já que os carros da polícia e as ambulâncias podem cobrir uma área maior”.   A alguns quilômetros dali, no trecho de 18 km que liga Brumadinho ao povoado de Casa Branca, as reclamações se repetem. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas (DER-MG), o projeto está em andamento.  “Eles falam que saiu verba, mas, se não sair da gaveta, não resolve”, diz a dona de casa Maria Maia da Cruz, 73, uma das moradoras mais antigas da região. Sua filha, Vânia Conceição de Moura, 47, completa: “Somos muito prejudicados, ninguém olha para cá. Já passou da hora de arrumarem essa estrada. Para quem precisa ir a Belo Horizonte, é um transtorno para descer a pé e conseguir o ônibus”.  Nascido e criado na região, o pedreiro Joelcio de Amorim Santos, 43, reclama dos transtornos. “Às vezes a gente precisa de um médico em Brumadinho, mas não tem como chegar rápido”. A população de Casa Branca tem a opção de chegar à cidade pelo asfalto, mas a viagem quase dobra. “Aqui ou é barro ou poeira. O povo sofre muito”, diz o aposentado José Pires, 65.  

Prontos

Beneficiados. Segundo dados do DER–MG, os seis trechos de obras concluídos pelo Caminhos de Minas atingem uma população de 399 mil pessoas, o equivalente a 5% dos 7,3 milhões previstos.

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