Gringos vão à feira para comer

Copa aumenta o fluxo de turistas na feira hippie e eles preferem as barracas de alimentação

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

Artes plásticas. “Imagino que as pessoas (turistas estrangeiros) venham com o dinheiro contado. Arte não é algo que eles buscam. Mas o aumento no fluxo de pessoas é claro” - João Carvalho, 78, Expositor de artes plásticas
fotos LINCON ZARBIETTI
Artes plásticas. “Imagino que as pessoas (turistas estrangeiros) venham com o dinheiro contado. Arte não é algo que eles buscam. Mas o aumento no fluxo de pessoas é claro” - João Carvalho, 78, Expositor de artes plásticas

Acostumada a receber turistas de outras partes do Brasil o ano todo, a Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades de Belo Horizonte, conhecida como feira hippie da Afonso Pena, tem recebido muitos estrangeiros desde o início da Copa do Mundo. Porém, eles têm se mostrado bem mais interessados em comer e beber do que em fazer compras.

É o que indica Guilherme von Sperling, 55, membro da Federação Mineira de Expositores das Feiras de Arte e dono de uma barraca de bebidas. “Minhas vendas aumentaram 30% no período da Copa e o item mais procurado pelos estrangeiros é a cerveja mesmo. Tenho conversado com expositores de outros setores que não têm tido o mesmo resultado, como os do vestuário por exemplo. É raro comprarem coisas de uso pessoal. Quando compram alguma coisa, costuma ser só souvenir”, afirma.

Foi o que aconteceu com a holandesa Mandie van Kroonenburgh, 27. No Brasil com o marido por conta da Copa, aproveitou para passar por BH, onde tem parentes, e visitar a feira antes do início do jogo entre Holanda e México. “Comprei somente uma camisa da seleção brasileira para o bebê de um amigo”, conta. Helena Bruekers, 51, familiar que os acompanhava, disse que foi pedido deles o passeio pela feira para verem o movimento e comprarem lembrancinhas.

Se os gringos não estão saindo com a sacola cheia, não se pode dizer o mesmo da barriga. E quanto mais local for a iguaria, maior vai ser o interesse. A massoterapeuta Allys Armanelli Terayama, 40, que vende guloseimas caseiras na barraquinha da avó, cujo faturamento costuma ser regular, relata um aumento de quase 50%, desde o início do Mundial. “No meu caso, que ofereço broas, roscas, biscoitos, doces e café da manhã, a procura tem sido bem grande. Temos servido queijo canastra, que eles gostam bastante, e deixamos cardápios em inglês à vista, para facilitar a comunicação”, afirma. Pela boca.

Como aos sábados sempre há jogos, muitos deles vão direto para a feira, depois de varar a noite comemorando. “É da lata de cerveja para o café da manhã”, acrescenta.

Na barraca de derivados do milho de Marina Fernandes de Carvalho, 36, a pamonha ganha a atenção especial dos latinos: existem versões similares em todos os países da América Latina. “Ele provam para ver qual é a melhor. Se a deles, ou a nossa”, diz.

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